"O tempo é o tempo do Cade", afirmou José Antônio Fay, presidente da BR Foods

A Brasil Foods (BR Foods) descarta a possibilidade de buscar o Judiciário para acelerar a tramitação da fusão entre Perdigão e Sadia - que originou a empresa - no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). "Quando se envolve em um projeto de fusão desses tem vários passos que precisam ser dados. É um projeto grande que precisa de muita persistência e paciência e, quando a gente entra, sabe que tem que passar por isso. O tempo é o tempo do Cade", afirmou José Antônio Fay, presidente da BR Foods.

"A Justiça não é um caminho que a gente considera a ser seguido", acrescentou. O executivo, que participou do lançamento do patrocínio da empresa ao Instituto Lançar-se para o Futuro, que ensina atletismo a 500 jovens da zona oeste do Rio de Janeiro, rechaçou a visão de que tenha havido piora nos resultados financeiros da companhia no segundo trimestre por conta da demora do Cade em analisar o processo, que chegou ao tribunal este ano.

Segundo Fay, as margens operacionais do segundo trimestre foram melhores e a queda do lucro na comparação com igual período do ano passado aconteceu apenas em função da variação do dólar. "O resultado foi bom. A operação foi muito melhor quando comparada com o segundo trimestre do ano passado", destacou. O presidente da companhia lembrou que as limitações por que passa hoje a BR Foods foram definidas ainda no anúncio do processo de fusão há um ano e meio. A maior parte dos impedimentos são relacionados às operações no Brasil, como a autorização para operação conjunta, o que já foi permitido para ocorrer na Europa pelos órgãos responsáveis pela defesa da concorrência do continente.

"Os limites que temos são limites de informações sensivelmente concorrenciais e limite de começar essas operações de fusões de equipes dentro do Brasil. O que é fora do Brasil estamos operando normalmente", explicou Fay. "Estamos trabalhando para crescer no mercado externo e não há grandes problemas. Existem alguns limites de investimento no Brasil que precisam da aprovação", reforçou, acrescentando que é necessário entender melhor as operações da Sadia antes de bater o martelo para possíveis expansões no Brasil, que conta com 64 fábricas.

O executivo também negou que a demora na aprovação da operação de fusão tenha dado fôlego para os concorrentes, notadamente da Seara, que viu crescerem suas operações no último ano. "A concorrência é uma característica do nosso negócio. A indústria de alimentos é muito competitiva e seria um prejuízo maior se estivéssemos parados esperando, mas a empresa está ativa. A vida na indústria de alimentos é dura e vai continuar sendo", ponderou. Para o fim do ano, apesar de não apresentar números de expectativas de aumento nas vendas, Fay frisou que o cenário é positivo, principalmente no mercado interno, onde a empresa concentra entre 55% e 58% de suas vendas.

"Tradicionalmente, o segundo semestre é mais forte e a expectativa do Brasil é boa", disse, acrescentando que não há "guidance" de crescimento porque os dados da Sadia não podem ser totalmente conhecidos pela empresa devido às restrições impostas pelo Cade. "Conhecemos a operação da Sadia sempre com atraso e o resultado é consolidado pela equivalência patrimonial e não no detalhe, porque não posso ter acesso às informações sensíveis da Sadia", destacou.

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