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Apple sem Steve Jobs. E agora?

Especialistas acreditam que há, sim, vida para a empresa pós-Jobs, mas Apple corre risco de entrar em um período de seca criativa

Jocelyn Auricchio, especial para o iG |

Steve Jobs, co-fundador da Apple, completou em fevereiro 56 anos golpeado por um câncer de pâncreas e já naquele momento não havia uma previsão sobre seu retorno à cadeira de executivo-chefe da companhia que revolucionou o mercado mundial de engenhocas eletrônicas após a criação do iPod, iPhone e iPad. As incertezas em relação a sua saúde geraram, automaticamente, rumores em relação ao futuro da Apple. Como ficará a empresa sem sua mente brilhante? Desde o dia 17 de janeiro, data em que Jobs afastou-se da Apple, o mercado não parava de fazer esta pergunta. O conselho de administração, contudo, não conseguia dar uma resposta com clareza.

Getty Images
Jobs depois da doença: muitos quilos a menos durante apresentação da Apple
A única certeza que se tinha até então era que um anúncio de afastamento definitivo de Jobs ou até mesmo sua morte afetariam diretamente as ações da companhia. “Sem Jobs, o potencial criativo da Apple tende a se perder, pois ele é inspirador, tem uma capacidade de visão fora de série e apresenta uma imagem muito forte dentro e fora da companhia”, afirma Mauro Peres, presidente da IDC, consultoria de negócios para as indústrias de TI (Tecnologia da Informação) e telecomunicação.

Dono de um estilo de liderança polêmico, muitas vezes ríspido, com atenção quase obsessiva aos detalhes, Jobs salvou a Apple na época em que a companhia havia entrado em uma maré de estagnação preocupante. O primeiro fruto da volta de Jobs foi o popularíssimo iMac, uma máquina com conceito monobloco (como o primeiro Macintosh, com CPU e monitor integrados) e cores, uma abordagem completamente inovadora no mundo dos computadores beges e pretos de então.

Hoje, por mais que exista uma equipe de talento por trás de Jobs, é a imagem dele que foi vendida aos acionistas e consumidores. Daí a explicação para uma possível queda das ações sem Jobs na empresa.

O próximo passo pode ser uma fase de “crise criativa” e falta de visão em relação ao futuro. Foi de Jobs a ideia de lançar, em 2002, um tocador de MP3 da Apple. A tecnologia estava disponível há anos, mas a abordagem técnica e visual aplicada ao iPod fez dele um sucesso explosivo, capaz inclusive de levar a Sony, criadora do aparelho de som pessoal (Walkman), ao esquecimento. Hoje, em sua sétima geração e com quatro modelos diferentes disponíveis, o iPod é o aparelho de mídia mais vendido do planeta.

O maior trunfo de Jobs foi antecipar o que os consumidores queriam. Muito além de hardware e software, ele vendia um conceito. Tudo com o logo da Apple estampado, o que atrai e cultiva a fidelidade de quem usa. O que se questiona é se alguém teria tamanha capacidade criativa. Isso, vale lembrar, pode gerar uma guerra de egos e apostas dentro da Apple. “Ele criou um exército que funciona na mesma direção. Contudo, sua saída pode criar deserções ou divisões na tropa”, diz Peres.

O prejuízo da saída do executivo seria imenso, mas não tão grande se comparado aos últimos afastamentos de Jobs, a exemplo de 2004 quando ele foi tratar de um sério câncer pancreático. Foi nesse período de afastamento que Tim Cook, o atual executivo-chefe e responsável pelas vendas e operações mundiais da companhia, que assumiu as funções de Jobs à frente da Apple.

Em sua gestão, ele aumentou a produtividade da Apple terceirizando a produção e reduzindo estoques. Cook assumiu o comando da Apple mais uma vez em janeiro de 2009, quando Jobs se afastou por seis meses para fazer um transplante de fígado, após meses com problemas de saúde.

Confiança

A ausência de Jobs causou uma queda das ações da Apple, mas a gestão firme de Cook trouxe novamente a confiança aos investidores, especialmente pela forma como conduziu a empresa, inclusive mantendo o crescimento durante a grave crise financeira global.

O mundo também evoluiu e favoreceu a Apple. Há cerca de uma década, a companhia atuava no commoditizado mercado de hardware. Era uma empresa de nicho e com um número limitado de consumidores. “Hoje a Apple está bem posicionada, gera receita em cima de equipamentos inovadores e de conteúdo digital e transformou-se em uma empresa de consumo”, afirma. O portfólio da companhia é muito mais diversificado.

Especialistas acreditam que há, sim, vida para a Apple após Steve Jobs. “Mal ou bem, a companhia criou um mercado importante (do iTunes ao iPad) que, só com atualizações, teria mais três anos de vida pela frente sem a necessidade de criar um novo mercado”, analisa Peres.

Contudo, passado o prazo de validade de três anos, a empresa corre o risco de entrar em um período de seca criativa. Jobs, por mais criticado que possa ter sido pelos que o chamavam de marqueteiro, foi quem abriu as portas do mundo para criações geniais como o tocador de música iPod ou o revolucionário telefone iPhone.

Em janeiro deste ano, Jobs mais uma vez saiu em licença médica. E mais uma vez foi confiado a Cook o comando da Apple. Cook já era considerado o herdeiro do poder de Jobs, mas naquela época tinha o compromisso de consultá-lo e fazer valer suas decisões, mesmo com ele afastado fisicamente da Apple.

Agora, sua missão é manter a Apple nos trilhos, seguindo a visão estratégica de Jobs. Seu próximo passo foi substituir Jobs definitivamente no anúncio da nova geração do iPad – a chamada versão 2. Se ele vai conseguir ou não, só as vendas dirão.

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