Serasa vai à caça de fraudes com cartões em compras na internet

Empresa de cadastro de crédito e análise de risco faz parceria com iovation para tentar reduzir o problema enfrentado pelas lojas de comércio eletrônico, que movimentaram R$ 10,2 bilhões no 1º semestre

Brasil Econômico - Ana Paula Ribeiro |

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O crescimento acentuado do comércio eletrônico e o consequente aumento de fraudes nas operações efetuadas com cartões não presenciais — quando não é necessário colocar a senha para a efetivação da compra — abriu uma nova frente de trabalho para a Serasa Experian. A empresa contará com a parceria da empresa americana iovation e passará a oferecer a proteção a lojas virtuais e varejistas no Brasil.

“São crescentes as fraudes nesse meio e estamos entrando nisso de forma mais efetiva agora”, afirma o presidente da área de Decision Analytics da Serasa Experian, Marcelo Kekligian.

A Serasa Experian, mais conhecida no Brasil por seu cadastro de clientes inadimplentes e ferramentas de análise de crédito, já possui alguns produtos que visam coibir fraudes no ambiente eletrônico, alertando as empresas de eventuais riscos. A maior parte das plataformas de comércio virtual pedem apenas os dados do cartão, como número e validade, sem a exigência de senha, o que abre espaço para tentativas de golpes.

Com a parceria, a Serasa passará a oferecer de forma conjunta a plataforma da iovation que, entre outras coisas, possui uma base de dados dos equipamentos (computadores e celulares) que efetuaram compras no comércio eletrônico. Caso um aparelho que já fez uma compra fraudulenta tente fazer uma nova operação, o sistema automaticamente irá vetá-lo. “Essa empresa já possui na base de dados dois milhões de equipamentos no Brasil e que já realizaram compras virtuais no exterior”, explicou o executivo. No entanto, não foi revelado se nesse universo há registro de computadores ou celulares que realizaram compras fraudulentas.

O interesse por conquistar clientes interessados em evitar fraudes está no tamanho do comércio eletrônico no Brasil. As compras realizadas no ambiente virtual, sendo que a maioria é feita com o uso de cartões, chegaram a R$ 10,2 bilhões, crescimento de 21% em relação a igual período do ano passado, segundo dados da e-bit, empresa de dados desse setor pertencente à Buscapé Company.

Já as tentativas de fraude no ambiente virtual cresceram 3,88% entre janeiro e maio de 2012 em relação ao mesmo período do ano anterior — em 2011, o aumento foi de 3,63%. A perda efetiva dos comerciantes foi equivalente a 0,24% nos cinco primeiro meses do ano, ante 0,32% em 2011, segundo a FControl, também da Buscapé.

Diversificação

Embora no Brasil seja mais conhecida pela sua base de cadastro de consumidores inadimplentes e análise de risco de crédito, a Experian no mundo tem maior atuação na área de inteligência da informação para todos os setores da economia. A intenção agora é diversificar mais a atuação no país — a Experian está no Brasil desde 1998 e em 2007 compra a Serasa.

No entanto, Kekligian admite que esse trabalho de diversificação é difícil e demanda um esforço de “formiguinha”, em que o contato tem que ser feito individualmente com cada empresa ou segmento econômico. Atualmente, os maiores clientes da Serasa são as instituições financeiras e as empresas de telecomunicações.

O executivo defende que com o uso correto da informação - que inclui análise de histórico de comportamento de clientes, região geográfica, renda e outras variáveis -, é possível que toda empresa alcance a fronteira eficiente, ou seja, chegue ao limite dos ganhos com a mesma estrutura.

“Isso é possível hoje porque há uma sofisticação maior do mercado”, defende, afirmando que com a análise correta uma empresa, de qualquer setor, consegue ser mais assertiva na oferta de seus produtos, mesmo que a base de clientes seja grande.

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