BB dificulta troca de créditos em compras com cartões do banco por milhas aéreas
Número mínimo para a primeira transferência dobra de 5 mil para 10 mil pontos. BB diz que está seguindo a concorrência. Regras atuais valem até o final de junho
Quem faz parte do programa “Pontos para você”, do Banco do Brasil (BB), e tem planos de trocar os créditos acumulados por milhas em companhias aéreas, deve se apressar. Sob a alegação de que bancos concorrentes estão fazendo o mesmo, a instituição decidiu elevar o limite mínimo de créditos para a transferência de pontos para programas de milhagem de companhias aéreas. A partir do dia primeiro de julho, serão necessários 10 mil pontos para a primeira transferência, o dobro do número de créditos exigido atualmente.
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As trocas seguintes, que até agora tinham limite mínimo de 1 mil pontos, também vão subir para 10 mil pontos, conforme noticiou recentemente o site de viagens Melhores Destinos. Assim, mesmo quem já trocou milhas antes terá que acumular dez vezes mais créditos para fazer uma nova troca, e duas vezes mais do que precisou para fazer a primeira. Terá também bem mais dificuldade para aproveitar promoções de companhias aéreas como TAM e Gol, que têm feito promoções de trechos nacional por menos de 5 mil milhas.
Em comunicado, o BB diz que busca “adequar-se à prática dos bancos concorrentes”, sem especificar quais, e que as regras atuais valem até o final deste mês. Procurado, o Santander, outro grande banco, afirma que mantém o número mínimo de pontos para troca (1 mil) e que tem feito esforços para tornar outros produtos de seu programa mais acessíveis – televisores, por exemplo. Procurado, o Itaú não retornou a solicitação de entrevista.
Torneira fechada
Segundo fonte de uma companhia aérea que não quer se identificar, o motivo por trás da decisão pode ser o crescimento da troca de pontos por milhas aéreas, que vêm impulsionando fortemente a receita de programas de milhagem, como o Multiplus, da TAM – a Gol também tem o seu, o Smiles, herdado da Varig, mas o programa não pertence a uma companhia independente, com ações em bolsa e dados públicos, como o Multiplus.
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Toda vez que um cliente pede ao seu banco que troque os pontos que têm acumulado por milhas aéreas, o banco tem que comprar essas milhas do programa de milhagem ou direto das companhias aéreas parcerias. Em 2010, o Multiplus vendeu dessa forma 52,2 bilhões de milhas aéreas e faturou com isso R$ 1,12 bilhão. No ano passado, as vendas cresceram para R$ 1,52 bilhão, por 76,2 bilhões de milhas. De lá para cá, o preço de cada milha vendida pelo programa de milhagem tem oscilado pouco acima de R$ 0,02 – o que significa que 10 mil pontos custam aos bancos cerca de R$ 200 e, 5 mil pontos, R$ 100.
Os pontos acumulados em compras de cartões de créditos e estabelecimentos comerciais parceiros do Multiplus – no primeiro quadrimestre deste ano eram 200 – podem ser trocados também por outros tipos de produtos, como batedeiras, televisores, chapinhas para o cabelo, barbeadores e aspiradores de pó. Mas 99% dos resgates são feitos em passagens aéreas. “É algo que mostra o sucesso desses programas de milhagem na fidelização de clientes”, avalia Volney Gouveia, professor da Escola de Engenharia e Tecnologia da Universidade Anhembi Morumbi, que tem curso graduação em aviação civil.
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Por essa lógica, a elevação do valor mínimo seria uma forma de conter os desembolsos com passagens aos clientes, especialmente em um momento em que as companhias aéreas têm feito promoções agressivas para o desconto de milhas, com trechos custando menos de 5 mil pontos, mesmo em períodos de alta temporada.
Outro motivo potencial para a elevação do limite mínimo levantado pelo executivo de companhia aérea seria reduzir o ritmo de troca de pontos por milhas, em função da variação cambial. Segundo ele, muitos dos contratos feitos entre os programas de milhagem, companhias aéreas e instituições financeira são balizados em dólar. Assim, muitas milhas acumuladas em anos recentes, quando o dólar estava cotado próximo a R$ 1,50, estariam sendo descontadas agora com o dólar acima de R$ 2, causando prejuízo ao banco.
Gouveia, da Anhembi Morumbi, diz ainda que, no final das contas, o poder de negociação de preço de milhas está mais na mão de companhias aéreas, que descobriram nos programas de milhagem um interessante filão de receita – a ponto de o Multiplus ter ações se valorizando mais que as da própria Tam. “Essas milhas podem estar custando caro”, afirma. “Os prejuízos recentes das companhias aéreas, de alguma forma, impactam nessa negociação”.