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Com nova febre de startups, até americanos trocam Vale do Silício pelo Brasil

Firmas de investimento brasileiras apostam na crescente comunidade de empresas na web

The New York Times |

Quando a empresa brasileira de investimentos Monashees Capital entrou em contato pela primeira vez com Juliano Ipolito, o co-fundador de um market place online de compra e venda de artesanato, ele imaginou que teria de ir a São Paulo visitar a companhia.

Tradicionalmente, as firmas de investimento no Brasil mantêm relacionamentos distantes com as empresas que financiam e não são muito bem-vistas pelos empreendedores.

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Juliano e Monica Ipolito construíram um relacionamento com empresa de venture capital em São Paulo
Leia também: Elo7 recebe aporte da Monashees Capital e da Accel Partners

Em vez disso, três sócios da Monashees, incluindo os co-fundadores Eric Acher e Fabio Igel, entraram em um carro em um calor escaldante e percorreram quase 60 milhas (96,5 quilômetros) até Campinas. Eles passaram várias horas com Ipolito e sua esposa, Monica Ipolito, co-fundadora da startup Elo7, para conhecê-los e explicar o papel que possuem em companhias em estágio inicial de desenvolvimento na internet.

Inicialmente, os Ipolitos “não queriam um acordo”, afirmou Igel, porque “eles não precisavam de dinheiro e estavam felizes”.

Mas as visitas à Campinas continuaram e o relacionamento cresceu. Recentemente, mais de sete meses depois da primeira ligação, Elo7 recebeu financiamento série A da Monashees e da empresa de venture capital americana Accel Partners.

O negócio ilustra o surgimento de uma comunidade de startups na internet no Brasil. A Monashees identificou os empreendedores, desenvolveu um relacionamento e logo no início trouxe um player importante do Vale do Silício como parceiro para fazer um investimento raro no estágio inicial da companhia. A mudança na relação entre investidores e empreendedores ocorre na medida em que as empresas de venture capital dos Estados Unidos começam a notar o Brasil.

Durante a ascensão do Brasil, muitos setores da economia alcançaram proeminência global, mas a internet tem sido uma notável exceção. Nasdaq não tem uma única companhia brasileira de internet listada, e mesmo a bolsa de valores brasileira tem muito poucas.

Isso não é falta de talento. Em 2000, professores brasileiros criaram em Minas Gerais a Akwan Information Technologies, que foi comprada pelo Google em 2005 e se tornou o centro de pesquisa e desenvolvimento na América Latina da gigante da internet.

Mas os empreendedores atuais estão começando a acreditar que existem mais opções e, por isso, estão construindo empresas que no longo prazo possam competir com multinacionais ao invés de serem compradas por elas. Isto está mudando em parte devido a empresas como a Monashees.

Segundo Claudio Vilar Furtado, uma autoridade em venture capital e private equity brasileiros e professor da Fundação Getúlio Vargas, Monashees está entre um grupo pequeno de empresas que estão introduzindo “um novo paradigma para o tipo de relacionamento que nutre empreendedores de um modo muito positivo e gera valor.”

Outras firmas de investimentos incluem Astella Investimentos, Ideiasnet and FIR Capital. Todas estão preenchendo os espaços de financiamento privado para startups.

De acordo com a Associação latino-americana de venture capital, com sede em Nova York, cinco das 32 operações de venture capital e private equity no Brasil realizadas no primeiro semestre de 2011 foram investimentos em estágio inicial, semeadoras ou incubadoras. Em 2010, a proporção era de 12 em 28.

A Monashees possui atualmente US$ 70 milhões, de um total de US$ 30 milhões em julho de 2010. O máximo que ela já investiu em uma só companhia por meio de várias rodadas é de US$ 7 milhões. Archer, um dos sócios, diz que a empresa fica em média com 30% de participação em uma startup, com a margem variando de 20% a 40%.

Em 2010, Archer disse que a companhia provavelmente faria só dois ou três investimentos por ano, devido ao tempo que leva para estabelecer relacionamentos. Mas neste ano, a Monashees já fez pelo menos nove novos investimentos em nove startups diferentes sediadas no Brasil. Uma dessas empresas começou recentemente – trata-se da GetNinjas, um market place online para serviços fundado por dois brasileiros, Eduardo L’Hotellier e Diego Dias.

O inesperado aumento das oportunidades para a Monashees de investimentos no Brasil se deve, em parte, porque o empreendedorismo está se firmando como uma carreira viável.

Por exemplo, L’Hotellier, que trabalhou para a McKinsey & Company e para a Bain Capital, poderia continuado na carreira corporativa, mas preferiu o empreendedorismo.

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Produto comercializado pela Elo7, market place online para artesanato no Brasil
Um segundo motivo é que o fracasso está deixando de ser um estigma. Dias, por exemplo, tentou começar uma startup no passado, mas “eu estava com os sócios errados”, conta ele.

Mas após encontrar L’Hotellier, ele estava disposto a tentar de novo.

Jovens brasileiros também são incentivados por compatriotas que retornam dos Estados Unidos, como Julio Vasconcellos, um graduado da Universidade de Pensilvânia e da Escola de Negócios de Stanford, co-fundador do primeiro site de compras coletivas, o Peixe Urbano, no Rio de Janeiro em 2010, apoiado pela Monashees e pela Benchmark. Seu investidor anjo inicial foi Chamath Palihapitiya, que diz ter participado de todas as rodadas de financiamento desde então.

E assim como brasileiros estão retornando, Monashees também tem investido pela primeira vez em americanos que, em sentido contrário, tem vindo ao Brasil em busca de grama mais verde.

Baby.com.br, um site de e-commerce para produtos de bebês que começou neste mês, foi fundado por dois americanos, Kimball Thomas e Davis Smith. E eles preferiram uma companhia brasileira de venture capital ao invés de uma firma do Vale do Silício.

Thomas disse que desde as reuniões iniciais com a Monashees, “ficou claro que se nós trabalhássemos com esses caras, eles estariam conosco diariamente.”

“Nos sabíamos que teríamos um parceiro altamente interessado com o tipo de relacionamentos e contatos que nós precisamos”, ele disse. “Do contrário somos só um grupo de caras se exibindo com maletas de dinheiro”, com uma ideia, mas sem ter certeza de como usá-la.

Outros investidores na Baby.com.br que participaram da rodada de investimentos liderada pela Monashees são Ron Conway’s SV Angel e o senhor Palihapitiya, que investiu em três empresas junto com a Monashees.

Depois da rodada de investimentos, que levantou US$ 3 milhões, Tiger Global Management entrou em contato com a Monashees, expressando interesse na companhia e adicionando em seguida US$ 1,5 milhão em abril.

“Tiger não teria mostrado interesse em nós se não tivéssemos conseguido recursos com a Monashees”, disse Smith.

Monashees enfrenta uma série de desafios, em especial para produzir sua primeira saída.

“Precisamos conseguir eventos de liquidez, e isso deve levar algum tempo”, disse Acher. “Ainda temos que provar a nós mesmos.”

E o aumento da competição significa que a Monashees está perdendo negócios pela primeira vez, embora isso seja um resultado esperado da evolução do setor.

Se a Monashees e a cena para startups terão sucesso vai depender também de seus parceiros americanos e de sua capacidade de adaptação.

Accel, que fez dois investimentos junto com a Monashees, também tem tido papel crucial em conseguir ganhar os Ipolitos, incluindo apresenta-los ao co-fundador do Flickr, Stewart Butterfield, que também teve dúvidas sobre aceitar financiamento no início de seu site de compartilhamento de fotos.

“Como nos comportamos vai determinar quanto eles vão confiar em nós no futuro”, afirmou Kevin Efrusy, sócio da Accel, sobre esse novo grupo de brasileiros empreendedores. “Se nos comportarmos bem, nós estaremos aptos a fazer parcerias com empreendedores ali por gerações.”

Mas, ele disse, “se nos comportarmos mal, por otimizar os ganhos de curto prazo e tentar tirar vantagem das pessoas, vamos destruir o ecossistema.”

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