Invenção, que aguarda registro de patente há quatro anos, tem preço final ao consumidor menor que o de aparelhos importados

Até dois anos atrás, a auxiliar de cozinha Eutália Lopes, de 58 anos de idade, sofria para executar as tarefas mais simples. Portadora de perda auditiva moderada, Eutália não conseguia conversar com o marido, com os filhos e, muitas vezes, não ouvia as ordens do chefe.

Incluída num grupo de 20 pessoas que participaram dos primeiros testes para um novo aparelho auditivo desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Eutália conseguiu retomar o ritmo de vida normal. O que é melhor, com um produto que custa menos, dura mais e tem manutenção mais barata do que os disponíveis no mercado.

Batizado de Manaus, a invenção da FMUSP é um modelo genérico do aparelho geralmente utilizado pelos pacientes, que é importado. Enquanto o preço dos aparelhos oferecidos pelo Serviço Único de Saúde (SUS) varia de R$ 525 a R$ 1,1 mil _no varejo, os valores podem chegar a R$ 12 mil_, o genérico custaria cerca de R$ 250.

Além do preço menor, o Manaus tem autonomia de 440 horas, enquanto a bateria do aparelho tradicional funciona por 120 horas. Segundo o engenheiro Sílvio Penteado, do Laboratório de Investigações Acústicas (LIA) da Faculdade de Medicina da USP, outra vantagem da versão nacional é a possibilidade de manutenção dos aparelhos em caso de defeito. “O governo está importando aparelhos auditivos de boa qualidade, mas são produtos que o paciente não tem como manter, já que a garantia é de um ano”, diz.

A expectativa dos pesquisadores é que o pedido de patente do aparelho, feito em 2006 junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), seja concedido em breve e o modelo possa ser produzido em série dentro de um ano. Segundo Penteado, o foco do projeto é principalmente atender à demanda do SUS, já que 70% das próteses vendidas no Brasil são compradas pelo governo.

O Manaus poderá ser usado por pessoas com perdas auditivas discretas, moderadas e moderadas severas. “Onze milhões de brasileiros teriam uma qualidade de vida muito superior com o aparelho”, afirma Penteado.

De acordo com a fonoaudióloga Isabela Jardim, pesquisadora que coordenou os testes, os pacientes obtiveram melhora da comunicação social. “Eutália disse se sentir bem e estar mais confiante”, diz. “Onze dos pacientes fizeram uso em período contínuo e optaram por continuar usando a prótese nacional.”


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