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Quedas nas vendas do varejo, cancelamento de ponto e interrupção de atividades marcaram o dia de companhias que atuam na cidade

As empresas ainda não têm a medida exata das perdas causadas pelas fortes chuvas registradas no Rio de Janeiro desde a noite desta segunda-feira. A imprecisão dos números não esconde, no entanto, o fato de que os negócios na cidade foram também diretamente afetados pelas águas.

AE
Empresas abonaram faltas de funcionários por causa das chuvas
“Não saiam de casa”, recomendava nesta terça-feira o Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio de Janeiro (Sindicarga), uma entidade cujos membros têm, por excelência, que enfrentar as ruas. O sindicato citou apelo feito no início do dia pelo prefeito da cidade, Eduardo Paes.

A subsidiária brasileira da multinacional americana Aecom, que presta consultoria na área ambiental, acatou a recomendação. “Logo pela manhã, mandamos um comunicado para os funcionários dizendo para eles não saírem de casa”, afirma o diretor-geral da Aecom Brasil, Paulo Coelho. Dos 70 empregados, apenas cinco compareceram na empresa. A Aecom não registrou perdas com as chuvas, mas adiou prazos para a execução de tarefas, como a entrega de relatórios. “O caos na cidade foi tão grande que ninguém cobrou nada hoje”, diz Coelho.

Perdas no varejo

O movimento do varejo foi prejudicado. Muitos estabelecimentos comerciais não abriram as portas – e, os que funcionaram, venderam menos. “O movimento foi praticamente zerado. As pessoas não saíram de casa para fazer compras e muitos varejistas não abriram as portas por falta de funcionários”, afirma o presidente da Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Aylton Fornari.

A Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomercio-RJ) ainda não conseguiu levantar as perdas do varejo, mas recomendou aos lojistas que abonem as faltas dos funcionários que não compareceram por causa das enchentes.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) não tem ingerência sobre as decisões de suas filiadas, mas ela própria teve que cancelar suas atividades. A entidade cancelou a programação desta terça-feira da TV Firjan e a aula inaugural de um curso sobre gestão pública, voltado a empresários.

Cancelamento semelhante enfrentou o engenheiro Daniel Dotta, que se deslocou de Florianópolis ao Rio na noite de segunda-feira para participar de um seminário na sede de Furnas, em Botafogo, na zona sul da cidade. “No hotel, em Ipanema, informaram que não dava para chegar a Botafogo porque estava tudo inundado na Lagoa Rodrigo de Freitas e no Leme”, conta. A programação será concentrada toda ao longo desta quarta-feira.

Abono de faltas

Outras grandes empresas com sede na cidade enfrentaram seus percalços. No BNDES, pouco mais de 20% dos cerca de 3,5 mil funcionários compareceram ao trabalho , o que fez com que eles fossem liberados do ponto nesta terça. A Previ , o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, e a Vale tomaram decisão semelhante .

Na agência FSB Comunicações, apenas 10% da equipe foi ao escritório do Rio de Janeiro. “A maioria dos funcionários trabalhou de casa”, afirma o sócio-fundador da empresa, Francisco Soares Brandão. O empresário precisou cancelar uma viagem para São Paulo por causa da chuva e do fechamento dos aeroportos. A expectativa dele é que a rotina seja restabelecida nesta quarta-feira.

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