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Carros do futuro terão antivírus e firewall

Estudo realizado nos Estados Unidos revela que já é possível invadir e controlar à distância carros comandados por computadores

Gustavo Poloni, iG São Paulo |

Imagine a cena: você está dirigindo seu carro em alta velocidade e, de repente, o freio para de funcionar. Ao mesmo tempo, a temperatura do ar-condicionado sobe até deixar o interior mais quente do que o deserto do Saara e as luzes começam a piscar descontroladamente. Quando você finalmente consegue encostar o automóvel em segurança, o mecânico diz que os problemas não foram causados por uma pane generalizada, daquelas que exigem um recall da montadora. Ela é fruto de um ataque hacker, muito parecido com o que é feito em computadores. Obra de ficção científica? Não para um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos. Eles publicaram no final de maio o estudo Análise Experimental da Segurança do Automóvel Moderno onde demonstram como os carros de hoje, controlados por PCs e conectados a redes sem fio, estão cada vez mais vulneráveis a ataques de piratas virtuais.

Getty Images
Nos Estados Unidos, pesquisadores hackearam carros controlados por computadores
Para realizar o teste, os pesquisadores da Universidade de Washington e da Universidade da Califórnia compraram dois carros de um mesmo modelo que chegou ao mercado norte-americano no ano passado. Apesar de não revelar qual foi o automóvel usado no teste, eles informaram que são veículos com grande número de computadores de bordo, conhecidos como Unidades de Controle Eletrônico (ECUs, no termo em inglês). Não são poucos equipamentos como esse dentro do carro. De acordo com os pesquisadores, um sedã de luxo vendido nos Estados Unidos pode ter até 100 MB de código fonte e 60 computadores funcionando de forma independente. São mecanismos como freio ABS, controle de tração, monitoramento de motor, sistema de navegação (GPS) e conexão a redes sem fio, que ajudam a deixar o carro mais confortável e seguro para o motorista (veja abaixo gráfico com as funções do carro que já são controladas por computadores).

Para invadir os sistemas eletrônicos dos carros, os pesquisadores optaram por usar a porta de entrada do OVD-II, um dispositivo que, de acordo com a lei americana, deve ser instalado embaixo do painel e que dá acesso a todas as redes e computadores encontrados dentro de um carro moderno. Esse dispositivo possibilitaria o hackeamento presencial do carro. Mas a grande preocupação dos cientistas está nos sistemas de bordo que conversam com satélites e redes sem fio, como o OnStar, da GM, que vai integrar o motorista à rede de micro-blogs Twitter, ou o Sync, da Ford, que possibilita que sejam comprados aplicativos para os novos modelos – mais ou menos como funciona a Apple Store em relação ao iPhone. “É como o computador”, concluíram os pesquisadores. “Quando ele estava isolado, era difícil acessá-lo. Mas a partir do momento em que eles foram conectados à internet, falhas de segurança ficaram expostas”.

Os autores do estudo afirmam que conseguiram hackear uma série de funções vitais dos veículos, como o motor e os freios. Isso significa que eles foram capazes de fazer coisas que representam ameaça para a vida dos motoristas. Um exemplo: durante os testes, fizeram com que o freio parasse de funcionar sem que o motorista pudesse fazer nada para parar o automóvel. Ou então, acionaram o breque de repente, freando o veículo abruptamente – o que pode, em situações reais, causar acidentes graves. Outras funções do veículo hackeadas pelos pesquisadores incluem itens considerados menos importantes, como ar-condicionado, rádio, faróis, luz interna e travamento das portas. “Queríamos saber quanta resistência os veículos apresentariam para evitar um ataque de fora”, escreveram os pesquisadores. “A resposta é: pouca”.

Existem nos Estados Unidos 250 milhões de veículos, a maioria deles controlada por algum tipo de sistema computadorizado. Os primeiros chips e processadores apareceram na linha de montagem no final da década de 70, quando uma lei da Califórnia (que depois virou lei federal) obrigou as montadoras a reduzir as emissões de poluentes. Para cumprir a nova legislação, as fabricantes desenvolveram um mecanismo que tinha como função ajustar a mistura do combustível com o oxigênio antes da combustão, melhorando a performance do veículo e fazendo com que ele emita menos gases nocivos ao meio-ambiente. Com o passar dos anos, outras funções do carro passaram a ser controladas por computadores. Apesar do estudo mostrar que é possível hackear um automóvel, seus autores acham que ainda é cedo para os motoristas se preocuparem. “É um alerta para que as montadoras evitem que isso aconteça no futuro”, escreveram os pesquisadores.
 

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