Bondes elétricos estão de volta nas grandes cidades do mundo

Assim como os carros elétricos, trens urbanos viraram moda na Europa e agora começam a ser implementados também pela China

Claudia Facchini, enviada especial a La Rochelle (França)* | 16/03/2011 05:33

Compartilhar:

A fábrica de trens da Alstom em La Rochelle, cidade medieval na costa atlântica da França, produziu no ano passado o número recorde de 88 “tramways”, trens urbanos movidos a eletricidade e que hoje são conhecidos no Brasil pela sigla VLT (veículos leves sobre trilhos). Esses trens são, na verdade, a versão moderna dos antigos bondes, que desapareceram das cidades brasileiras há pelo menos 30 anos.

Foto: Divulgação Ampliar

Trem da Alstom em Paris, França

Enquanto a carteira total de pedidos do grupo francês, segundo maior fabricante de trens do mundo, caiu 8% entre abril e dezembro de 2010 como reflexo da crise na Europa e Estados Unidos, a divisão de bondes da Alstom cresce a taxas de 10% ao ano. Bernard Peille, diretor da fábrica de La Rochelle, prevê ultrapassar a marca de 100 “tramways” produzidos em 2011.

Assim como o carro elétrico virou febre entre as montadoras e tem sido a maior atração das principais feiras de automóveis, os bondes elétricos passaram a ser a sensação entre as alternativas de transporte urbano. Além de emitir quatro vezes menos monóxido de carbono do que os ônibus, os bondes elétricos atuais podem ser abastecidos por baixo, sem que seja necessário instalar fios suspensos, o que faz com que eles não interfiram na visual das cidades como acontecia antigamente.

Cidades como Bruxelas, Paris e Berlin ressuscitaram os seus “tramways” nos últimos dez anos e essa onda “verde” começa a chegar agora aos países emergentes.“Só na China, existem pelo menos 15 projetos em estudo”, afirma Pierre Gosset, responsável pela divisão de “tramways” do grupo Alstom. A multinacional francesa participará neste ano, por exemplo, de uma licitação em Pequim.

Para o ano fiscal 2010-2011, que se encerra agora em março, o grupo prevê fabricar 300 bondes, 10% a mais que no exercício anterior, com vendas de 450 milhões de euros. “Há dez anos, nossa produção não era nem a metade”, diz o Gosset, que projeta chegar a uma produção de 1 mil a 1,5 mil “trams” por ano até 2020.

A expectativa é de que essas taxas de crescimento, de dois dígitos, sejam mantidas. “Mas é difícil prever quanto iremos fabricar em 2011. Isso vai depender das licitações que ganharmos, como a de Pequim”, diz Gosset.

No Brasil, a Alstom venceu a única licitação feita no País para a instalação de uma linha de trem elétrico, realizada em Brasília. Mas o contrato foi suspenso no ano passado pelo Ministério Público, que está investigando os contratos firmados durante o governo de José Roberto Arruda, cujo mandato foi cassado por corrupção.

Segundo Gosset, a Alstom ainda não havia iniciado a fabricação dos trens para Brasília e a suspensão do contrato não causou prejuízos financeiros à companhia. A empresa se mantém à espera de uma decisão das autoridades brasileiras. Apesar dos problemas, as esperanças da Alstom de vender bondes para o Brasil não morreram. Outras cidades, como Santos, disse Gosset, também já demonstraram interesse pelo VPT (veículo pesado sobre trilhos).

A divisão, embora passe por uma fase de forte crescimento, ainda representa uma pequena parte da vendas da Alstom. A carteira total de pedidos da multinacional no setor de transportes ferroviários totalizava, em dezembro de 2010, 3,6 bilhões de euros, incluindo trens de alta e de altíssima velocidade, conhecidos pela sigla TGV e AGV, respectivamente, segmentos em que a Alstom é líder no mundo.

*A repórter viajou a convite da Alstom


 

    Notícias Relacionadas


    24 Comentários |

    Comente
    • Thel Monaju | 16/03/2011 15:49

      além da poluição que causam,os ônibus são desconfortáveis devido aos milhares de buracos nas cidades urbanas,onde apenas o motorista usa sinto de segurança,enquanto os passageiros seguram onde pode.esse conceito seria muito mais interessante que o atual modelo.

      Responder comentário | Denunciar comentário
    • Humphrey Fernandes | 16/03/2011 15:33

      Saio em defesa do lugar que aprendí a amar (Campo Grande). Quem vivenciou a era dos bondes, sabe muito bem da importância que tiveram no Rio e em determinados lugares onde as distâncias eram cobertas pelo trajeto dos mesmos. Aqui em C.Gde também teve bondes. E poderiam voltar dentro é claro da modernidade para poder servir os locais mais
      distantes. A população está crescendo, os imóveis sendo esguidos à cada instante com em-
      preendimentos que vão congestionar o trânsito com um montão de carros nas ruas. Que tal
      uns bondezinhos desses no próximos anos ? Aproveito mando um abraço pro Gilberto José
      Muniz da (Aczo), pela luta nos interesses do nosso bairro.

      Responder comentário | Denunciar comentário
    • OLIVER | 16/03/2011 15:28

      SABEM PQ O TRANSPORTE ALTERNATIVO NÃO VAI DAR CERTO NO BRASIL? TODO BRASILEIRO SABE, OS POLÍTICOS ESTÃO COMPROMETIDOS, O SISTEMA BRASILEIRO ESTA COMPROMETIDO, MUITA CORRUPÇÃO, ESSE PAÍS SOFRE DE DEMÊNCIA REGRESSIVA, A MEMÓRIA DA MASSA BRASILEIRA É INEXISTENTE, ESSE É UM PAÍS ONDE SE CAÇAM PREFEITOS AOS BORBODÕES, ONDE TUDO TERMINA EM PIZZA, NO JEITINHO BRASILEIRO, ONDE TEMOS DEPUTADOS COMO TIRIRICA, ROMÁRIO, PAULO MALUF, E ETC, ETC... COMO DIZEM OS ARGENTINOS, O BRASIL É UM GIGANTE ADORMECIDO. AMÉM

      Responder comentário | Denunciar comentário
    • Edison | 16/03/2011 14:45

      Nos grandes centros urbanos do Brasil, deveria ser proibido a entrada de carros e onibus, e sim estes trens elétricos, (VLT), só assim a poluição, engarrafamentos, stress da cidada iria acabar. Vamos incentivar o uso dos VLT

      Responder comentário | Denunciar comentário
    • Torres | 16/03/2011 14:45

      Enquanto isso, em SP, pagamos R$ 3,00 pelo desserviço oferecido pelas empresas de onibus. Se fizessem reajuste de preço de acordo com a qualidade do que eles oferecem, utilizariamos os onibus de graça.

      Responder comentário | Denunciar comentário
    • Carla | 16/03/2011 14:24

      O MP/DF deveria ler essa reportagem e acabar com o embargo absurdo às obras do VLT de Brasília (W3 Sul), o legal para eles é um monte de árvore velha, caindo em cima dos carros qdo chove e a poluição dos ônibus precários emitindo CO2, é incrível como a Justiça Brasileira é hipócrita, falha e vendida, quem será o grande interessado com este embargo, as empresas de ônibus, Sindicato dos Táxistas, enquanto isso a população vive na contra-mão do progresso e da modernidade.

      Responder comentário | Denunciar comentário
    • ÍNDIO | 16/03/2011 14:17

      Índio vai ficar esperando aqui na tribo de Belém do pará, Índio vai ficar fazendo a dança da chuva e tomando açaí, votando em pilantras e principalmente esperando muito pra isso chegar aqui.

      Responder comentário | Denunciar comentário
    • João henrique | 16/03/2011 14:10

      No Rio de Janeiro Já Existe inspeção Anual de Veiculos a Anos! realizada Pelo Detran-RJ!

      Responder comentário | Denunciar comentário
    • Grson santos | 16/03/2011 13:59

      O Que Eu Nao Intendo E Por Qur Que A Maiorias Das Pessoas Tem A Terrivel Ingnorança De ComPara O Brasil Com Resto Do Mundo Isto Foi Sempre Assim Por Toda Vida O Estados Unidos E Eoropa Ja Tem QUInhentos Anos De ProGresso O Brasil Tem Quinhentos Anos De Vida Seus Ingnorante.

      Responder comentário | Denunciar comentário
    • Antonio | 16/03/2011 13:14

      Esses Vlt ou VPT ou bondes seriam ótimos, pois não poluem e são mais silenciosos que os ônibus que poluem e são mais barulhentos. A Unicamp tem projetos desses veículos com mais vagões e articulados e flutuam. O que falta é uma empresa se interessar por esses projetos e colocar em execução.
      Quanto a Alstom ela está interessada em fornecer esses bondes para o Brasil e já tem contratos aqui no Brasil , só o que não é bom o poder de convencimento deles.
      http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080620/not_imp192836,0.php

      Responder comentário | Denunciar comentário
    1. Anterior
    2. 1
    3. 2
    4. 3
    5. Próxima

    Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!




    *Campos obrigatórios

    "Seu comentário passará por moderação antes de ser publicado"


    INDICADORES ECONÔMICOS

    Maiores Altas e Baixas
    Índice: IBOVESPA

    código nome var. %

    Câmbio

    moeda compra venda var. %

    Bolsa de Valores

    indice data ultimo var. %
    • Fonte: Thomson Reuters

    CONVERSOR DE MOEDAS

    • Fonte: Thomson Reuters
    Ver de novo