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Avant-garde com sotaque gaúcho na Nokia

Diretor global de integração de sistemas da Nokia Siemens Network, Nelson Campelo comanda um negócio que cresceu 200% em três anos

Carla Falcão, iG São Paulo |

A Nokia tem mudado. Nos últimos anos, a fabricante finlandesa de celulares passou a apostar no mercado de integração de sistemas e consultoria. À frente dessa estrutura, batizada de Nokia Siemens Network (NSN), está um brasileiro. O cargo de diretor (ou head) global de integração de sistemas da NSN é ocupado pelo gaúcho Nelson Campelo. De seu escritório em Paris, ele comanda todas as operações de uma nova unidade de negócios que cresceu 200% desde seu início, há três anos, quando Campelo assumiu a função.

Divulgação
Nelson Campelo dirige a área de integração de sistemas da Nokia Siemens
“Boa parte de nosso crescimento foi sustentado por mercados mais maduros, como Europa e Ásia, que reconhecem a necessidade de tirar o maior proveito possível de todos os sistemas que a empresa já possui”, diz. “Mas, nossa expectativa é de que países como o Brasil sejam os próximos a investir em integração de sistemas.”

Segundo Campelo, as companhias que fornecem sistemas de comunicação, como teles e empresas de TV a cabo são os primeiros alvos para a venda desses serviços. Em breve, no entanto, a NSN deve centrar esforços também na conquista de clientes na área de energia.

Engenheiro Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Campelo começou sua carreira na IBM e passou pela CPM Braxis, empresas com as quais a NSN passou a competir. “Há uma tendência de as operadoras de telecom usarem serviços dos fornecedores de equipamentos para diminuir e gerenciar a complexidade da convergência tecnológica”, diz Campelo.

Casado e pai de três filhos (23, 21 e 9 anos), Campelo chegou à França, sem fluência no idioma local, para gerenciar uma equipe de diversas nacionalidades, espalhada por diferentes países, o que, admite, dificultou um pouco sua adaptação. Já fluente em francês, ele aproveitou para incrementar sua bagagem cultural em dois temas nos quais a França se destaca: gastronomia e vinhos. As muitas viagens para países distantes também contribuíram para a descoberta de novas culturas. Não por acaso, um de seus manuais de sobrevivência é o livro “When cultures collide”, de Richard Lewis, que consulta a cada vez que viaja a negócios. “É uma forma de evitar as gafes que podem comprometer uma negociação”, diz.

 

Leia a entrevista com Nelson Campelo.

iG - Qual é o papel que sua área desempenha na estratégia global da companhia?

Nelson Campelo – Para um negócio em franco crescimento, é vital lidar com a complexidade e a velocidade de atualização e implementação de novas tecnologias e sistemas de gestão. Por isso, as operadoras de telecomunicações buscam parceiros comerciais que possam ajudá-los a simplificar e gerenciar esses projetos de ponta a ponta.

iG - Qual foi o momento mais difícil que o sr. enfrentou desde que assumiu a posição?

Campelo – Certamente foi no início, já que houve uma conjugação de fatores que mudaram muito o dia-a-dia de minha família. Os filhos mais velhos ficaram no Brasil para completar os estudos, a caçula teve de aprender rapidamente inglês e francês e adaptar-se à escola e minha esposa deixou o negócio "congelado" no Brasil. Além disso, a posição era nova e parte de uma fusão entre empresas globais, mas com culturas bastante diferentes. Eu tinha funcionários de diferentes nacionalidades espalhados por vários países. Não por acaso, o processo de formação de equipe e de ser aceito pelo grupo foi um pouco lento no início. A adaptação à Franca não foi tão complicada. Mas, passei algumas dificuldades por não ser totalmente fluente em francês.

iG - Pela sua experiência, quais são as características mais valorizadas nos executivos brasileiros que atuam no exterior?

Campelo - Flexibilidade e criatividade.

iG - Que conselhos você daria aos executivos brasileiros que se preparam para assumir um desafio em outro país?

Campelo - Procure integrar a família o mais rapidamente possível nas comunidades locais e de expatriados. Aprender o idioma local também facilita muito não só comunicação, mas também ajuda a aproveitar a cultura local ao máximo.

iG - Do ponto de vista profissional, qual foi seu maior aprendizado?

Campelo - Foi desenvolver a capacidade de liderar um negócio sem fronteiras e a lidar com as mais diversas culturas. Foi nessa época que criei o hábito de ler sobre a etiqueta de negócios de cada país antes de viajar, de forma a evitar gafes e entender os costumes de negócios locais.

iG – O sr. lembra de alguma história inusitada pela qual tenha passado nesse período de adaptação?

Campelo - Lembro-me de várias. Mas uma em especial nos divertiu bastante. Uma noite, os bombeiros foram chamados por uma de nossas vizinhas, que não conseguia entrar no próprio apartamento. Eles colocaram uma escada e entraram pela janela, gerando uma grande confusão, pois tiveram de fechar o trânsito na rua. Meia hora depois, o vizinho do mesmo apartamento bateu à minha porta, desesperado, pedindo para chamar a polícia porque sua casa havia sido arrombada. Foi então que descobrimos que o casal havia brigado pelo Facebook e que a mulher inventou toda essa história para entrar na casa e pegar suas coisas. Fiquei imaginando o que aconteceria no Brasil se os bombeiros fossem chamados a cada discussão de casal.

iG - Do que você sente mais falta quando pensa no Brasil?

Campelo - De assistir aos jogos do meu time do coração, o Internacional. 

 

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