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Autossuficiência do petróleo precisa fortalecer indústria do plástico, diz novo presidente da Abiplast

O empresário José Ricardo Roriz Coelho, da Vitopel, uma fabricante de filmes plásticos, assume em abril o comando da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). A entidade reúne as empresas que compram resinas petroquímicas e a transformam em inúmeros itens que fazem parte da rotina das pessoas, desde brinquedos e autopeças a canetas e sacolas.

Redação Economia |

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No Brasil, a estimativa é que existam mais de 11,3 mil transformadores, dos quais 72% deles são pequenas firmas que empregam menos de 20 funcionários, administradas diretamente pelo dono-fundador, com pouco ou nenhum capital para investir.

Divulgação

José Ricardo Roriz Coelho, novo presidente da Abiplast

Diante das mudanças recentes com a criação de uma única petroquímica nacional e a descoberta de enormes reservas de petróleo, Roriz Coelho defende uma melhora nas condições de acesso às matérias-primas, de forma a fortalecer a cadeia de produção da indústria do plástico. "Os preços deveriam ser aqueles que possibilitassem um grande aumento do consumo no mercado interno e assegurar competitividade para exportar produtos de maior valor agregado, gerando empregos e riquezas aqui no Brasil", afirma Roriz Coelho, que já presidiu a extinta Suzano Petroquímica.

A seguir, a entrevista concedida ao iG:

iG: O que mudou no cenário do setor de plásticos com a união da Braskem com a Quattor?

Roriz Coelho: O modelo originalmente planejado - que era ter duas grandes empresas petroquímicas na Brasil concorrendo entre si, além da Petrobras como sócia minoritária relevante - foi atropelado pela fragilidade financeira da Quattor, agravada pela crise econômica do fim de 2008 e início de 2009. A solução encontrada foi a formação desta única empresa, capitaneada pela Braskem, que de forma legítima e competente, não deixou passar a oportunidade da consolidação, fortalecendo a sua posição no mercado sul-americano, tornando-se um dos 10 maiores players do mundo no setor. Mas o fato de ser grande não significa que será competitiva. Entre as cinco maiores empresas petroquímicas, duas estão em sérias dificuldades financeiras e outra viu suas ações despencarem após aquisições equivocadas. Hoje, o grande diferencial competitivo, sem dúvida, é obter matérias-primas competitivas. Este é o grande nó a ser desatado no Brasil. Acesso aos mercados também é fundamental, mas teremos dificuldades competitivas para exportarmos. Além disso, o mercado interno é muito vulnerável à concorrência externa.


iG: O setor de plásticos concentra muitas pequenas empresas, é muito fragmentado e emprega bastante gente. Como o senhor pretende fortalecer o setor de transformação de plásticos, um dos elos mais fracos da cadeia?

Roriz Coelho: Não tem outra solução: consolidar, investir em modernização de equipamentos, inovação, pesquisa e desenvolvimento e capacitação gerencial. Tudo isto associado ao acesso a preços de resinas competitivas com uma forte integração sinérgica entre os diversos elos da cadeia. É preciso adequar os ciclos de vida dos nossos produtos aos mais rigorosos padrões ambientais. A sociedade reconhecer isto é mandatório para a cadeia produtiva.

iG: Como reduzir a informalidade no setor?

Roriz Coelho: Com empresas mais estruturadas e aliando aos melhores padrões de gestão na condução dos negócios das indústrias de terceira geração.

iG: Quais as dificuldades que impedem um processo de consolidação dos produtores de plásticos, como ocorreu na petroquímica?

Roriz Coelho: A terceira geração é na sua grande maioria composta de empresas pequenas, sem escala, familiares, sem governança corporativa e com padrões de contabilidade inaceitáveis para o desenvolvimento de negociações visando aquisições e fusões.

iG: Reduzir a alíquota de importação é importante para o setor de plásticos? A Abiplast defende essa bandeira?

Roriz Coelho: Independentemente de alíquota, o importante é ter acesso a preços competitivos. A alternativa de suprimento para competirmos em igualdade de condições com qualquer transformador de plásticos no mundo. O Brasil é autossuficiente em petróleo e será um grande exportador desta riqueza. Portanto, deveríamos ter as melhores condições para agregar valor ao longo da cadeia produtiva dos derivados de petróleo. Os preços, com margens adequadas para todos os elos da cadeia, deveriam ser aqueles que possibilitassem um grande aumento do consumo no mercado interno e assegurar competitividade para exportar produtos de maior valor agregado e que gerem mais empregos e riquezas aqui no Brasil. Vamos ter um só fornecedor. Isso traz preocupações até conhecermos melhor qual é o apetite dele no Brasil para juntos com a terceira geração desenvolvermos esta indústria que é tão importante para economia brasileira.


iG: A barreira tecnológica para entrada no setor é muito pequena. Como o setor pode se destacar diante dos produtos acabados importados?

Roriz Coelho: O Brasil tem enorme vantagem comparativa sobre a grande maioria dos nossos concorrentes. Temos muito petróleo que é a matéria-prima principal dos plásticos e estamos saindo na frente na produção dos polímeros verdes. Além disso, temos uma malha industrial bastante desenvolvida que consome grande quantidade produtos plásticos como: automotiva, linha branca, eletrônicos, agricultura, bens de consumo, etc. O aumento de renda da população está possibilitando o acesso do grande público ao consumo de produtos já embalados. Além de tudo isso, temos toda a competitividade do nosso agronegócio. Para aumentar o valor agregado de seus produtos, eles vão cada vez mais ser encontrados em embalagens plásticas para os consumidores de todo o Brasil e do mundo.

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