São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas seguem na briga pela unidade; local de instalação será definido até o fim do ano

O investimento da multinacional americana General Electric no centro de pesquisa que a companhia vai instalar no Brasil pode chegar a US$ 300 milhões (cerca de R$ 530 milhões, em valores atuais), segundo Fernando Rodriguez, gerente de vendas de redes inteligentes da empresa. Em janeiro, quando a criação do centro de pesquisa foi anunciada, o desembolso previsto era de US$ 200 milhões.

Este será o quinto centro que a empresa terá no mundo. Os outros estão localizados nos Estados Unidos, Alemanha, China e Índia. Rodriguez não especificou os motivos para uma possível elevação dos investimentos na unidade.

O local da instalação do novo centro, ainda sob discussão, é disputado por São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas. Segundo Rodriguez, a escolha dependerá principalmente da existência de uma quantidade representativa de doutores, mestres e engenheiros à disposição para as novas pesquisas. A infraestrutura de aeroportos, rodovias e tecnologia comunicacional também é um dos fatores sob análise.

O projeto, que será implementado até o fim do ano, terá como foco o desenvolvimento de novas tecnologias para atender ao mercado brasileiro e à América Latina. “Temos como diretrizes implantar uma sede no local em que desenvolvermos novas tecnologias para atender necessidades regionais”, diz Rodriguez.

Benefícios para o País

No novo centro serão desenvolvidas pesquisas em diversas áreas, como redes inteligentes (ou "smart grid", segundo o termo mais usual no setor). Esse segmento estuda a automatização do sistema elétrico por meio de tecnologias com sensores, medições automáticas do consumo de energia e o uso de telecomunicações, medidas com as quais se busca melhor desempenho da rede. “Queremos iniciar projetos-piloto para uma pequena escala e criar uma base sólida. A tecnologia para a realidade brasileira já existe. O que não há ainda é uma regulamentação”, diz Rodriguez.

O investimento da GE não é significativo apenas para as estratégias da empresa, segundo análise de pesquisadores e especialistas. “O impacto do centro será representativo para o País”, diz Mário Barra, membro da diretoria da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei). “Será um avanço, uma vitória. O novo centro elevará a capacidade de inovação do Brasil. Ele trará abordagens inovadoras”, afirma.

A GE é uma das companhias que mais investem em pesquisa e desenvolvimento no mundo. Os desembolsos anuais são de cerca de US$ 6 bilhões. Em janeiro, quando o aporte no centro brasileiro foi anunciado, a previsão era que ele ficaria pronto 15 meses depois da definição do local.

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