Empresas detalham acordo de joint venture global de etanol que também prevê venda em caso de invalidez de Rubens Ometto

A anglo-holandesa Shell poderá exercer o direito de compra da participação da Cosan, a maior usina de açúcar e álcool do Brasil, na joint venture fechada entre ambas caso o controlador da empresa brasileira, o bilionário usineiro Rubens Ometto, morra ou fique inválido. Os termos do acordo da joint venture foram publicados na manhã desta quarta-feira pela Cosan.

Rubens Ometto, controlador da Cosan: futuro da companhia como brasileira nas mãos do bilionário
AE
Rubens Ometto, controlador da Cosan: futuro da companhia como brasileira nas mãos do bilionário
As duas empresas anunciaram em fevereiro um acordo para unir suas operações no Brasil, que inclui os negócios de açúcar e álcool da Cosan, além da área de distribuição de combustíveis - a rede de postos Shell e a da Esso, esta última controlada pelo grupo brasileiro.

O objetivo é transformar a joint venture num player global no setor de etanol. Herdeiro de uma família de usineiros, Rubens Ometto, que tem 60 anos, transformou a Cosan na maior empresa do setor nas últimas décadas. Ele é dono de uma fortuna calculada em US$ 2,1 bilhões, segundo a revista Forbes.

Os detalhes do acordo, anunciados nesta quarta-feira, definem as regras da joint venture, cuja operação deve ser concluída no primeiro semestre de 2011, informou a Cosan.

Além da possibilidade de venda da participação do sócio controlador para a Shell pelo valor de mercado das ações da empresa nas situações de morte ou invalidez, as duas partes decidiram outras regras para venda de participação. A Shell terá direito de compra da participação da Cosan depois de 10 anos, caso a empresa brasileira opte por vender metade ou toda a fatia acionária. Quando o acordo completa 15 anos, tanto a Cosan como a Shell terão o mesmo direito de compra e venda.

A joint venture, cujo valor estimado do negócio é de US$ 12 bilhões, será composta por três empresas. Uma de açúcar e álcool na qual a Cosan terá 51% e a Shell 49% das ações com direito de voto, outra no setor de distribuição de combustíveis na qual a Shell terá 51% e a Cosan, 49%, e uma terceira que administrará o negócio, na qual ambas terão participação igualitária (50%-50%).

Ao todo, do lado da Cosan, farão parte do negócio 23 usinas com 60 milhões de toneladas de capacidade de moagem de cana-de-açúcar, ativos de co-geração de energia, participação na empresa de logística de etanol, além do repasse da dívida líquida de US$ 2,5 bilhões e outra de R$ 500 milhões com o BNDES.

Do lado da Shell, a empresa de petróleo anglo-holandesa vai injetar US$ 1,6 bilhão no caixa da joint venture e participações de empresas de biocombustíveis.

Tanto a Cosan como a Shell vão unir sua rede de postos de combustíveis. A Cosan tem cerca de 1,7 mil postos com a bandeira Esso. A Shell, por sua vez, detém uma rede de 2,7 mil estabelecimentos. Juntas, as empresas terão a segunda maior rede, atrás apenas da Petrobras.

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