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Concorrência entre diferentes cultivos e crise econômica reduzem oferta de trabalhadores para colheita de hortaliças

Os produtores de hortaliças dos Estados Unidos enfrentam falta mais intensa de mão de obra neste ano, a exemplo do que ocorre no Brasil . “Já faz algum tempo que temos esse problema, mas 2011 está sendo o pior ano de todos. Ficou mais difícil contratar pessoal para trabalhar no campo”, diz Christopher Waldron, gerente da Plantel Nurseries, empresa especializada na produção de mudas de hortaliças na Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos.

A concorrência com outros cultivos ajuda a explicar a falta de trabalhadores para produtos como alface e brócolis. “Nesta região [Santa Maria, Califórnia], temos grandes campos de morango, amora, abacate e uva, por exemplo. Essas culturas precisam de muita mão de obra e costumam pagar mais pelo dia trabalhado”, afirma Rafael Cambero, supervisor de colheita da produtora e processadora de vegetais Bonipak.

O valor médio pago nas lavouras de hortaliças de Santa Maria não passa de US$ 100 por dia, cerca de R$ 160. Já quem colhe morango pode receber até US$ 200 por dia, por volta de R$ 320 – e o total de horas trabalhadas em geral é menor, já que o produto precisa ser tirado do campo o mais rápido possível para manter a qualidade.

Falta de mão de obra não é problema novo, mas 2011 é o pior ano de todos, diz Christopher Waldron
Danielle Assalve/iG
Falta de mão de obra não é problema novo, mas 2011 é o pior ano de todos, diz Christopher Waldron
“Mas os contratos para vegetais costumam ser mais estáveis e ter duração maior, de pelo menos alguns meses. Já para a produção de morango as vagas são focadas para o período de colheita”, diz Waldron.

Para fazer frente à oferta menor de funcionários para hortaliças, a saída tem sido elevar salários – o que acaba refletindo nos custos de produção. “A mão de obra é o maior custo que temos e continua a ficar mais cara nesta região”, afirma Cambero.

Segundo ele, para cada caixa com 35 cabeças de brócolis, com preço entre US$ 5 a US$ 10, os gastos com funcionários no campo chegam a US$ 2. Ou seja, dependendo do preço praticado na hora de comercializar a lavoura, os custos trabalhistas podem consumir de 20% até 40% do faturamento do produtor.

Outra aposta é mecanizar ainda mais as lavouras, o que aumenta a produtividade e reduz a necessidade de pessoas no campo. Do preparo do solo , plantio e colheita , em geral todas as etapas da produção nos Estados Unidos são feitas com máquinas.

Crise e imigração

A crise econômica também agrava o cenário de escassez de mão de obra no campo. Estima-se que pelo menos 90% dos que trabalham nas lavouras americanas sejam imigrantes, principalmente vindos do México.

“Com a crise, percebemos que alguns estão voltando para casa, enquanto outros decidem migrar em busca de oportunidades em outras áreas dos Estados Unidos”, afirma Waldron.

Um produtor da região de Salinas, na Califórnia, que preferiu não se identificar acredita que o controle mais rígido da imigração para o país também está diminuindo o fluxo de mexicanos para a região. “Com a crise, eles estão encontrando mais dificuldades para conseguir autorização para vir para cá. Isso também fez reduzir o número de pessoas procurando emprego no campo.”


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