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Família Brandalise, que controlou empresa até 1994, é acusada de montar esquema de desvio de recursos do grupo

O Ministério Público Federal denunciou nesta quarta-feira ex-dirigentes e ex-controladores do grupo Perdigão, os irmãos Saul Brandalise Júnior e Flávio Brandalise, além de Ivan Orestes Bonato, genro do fundador da empresa, por suposta prática de sonegação fiscal, num processo avaliado em R$ 694 milhões. De acordo com o comunicado do MPF, os acusados montaram um esquema de sonegação que envolveu 30 empresas controladoras da empresa holding da Perdigão. A família Brandalise fundou a Perdigão e manteve o controle da companhia até 1994.

Segundo o Ministério Público, a investigação identificou uma sonegação de R$ 543 milhões feita por meio de uma das holdings controladas pelos denunciados, a Perbon Fomento Comercial Ltda. Em 1991, a empresa simulou um empréstimo de Cr$ 10 bilhões para dar lastro a rendimentos do grupo que eram ocultados pelos denunciados, de acordo com os procuradores.

A suposta empresa estrangeira que emprestou o dinheiro tinha como procurador, no Brasil, o próprio denunciado Ivan Orestes Bonato. O empréstimo foi realizado com contrato simples, sem nenhuma garantia nem reconhecimento de firma. O Banco Central do Brasil confirmou que esses valores jamais entraram em território nacional, segundo o MPF.

De acordo com a denúncia do MPF, as empresas faziam operações de empréstimos cruzadas com valores muito acima de mercado, criando despesas fictícias e reduzindo lucros, segundo o MPF. Na época da venda, parte das empresas não tinham patrimônio, funcionários nem atividades econômicas, ocupando endereço em uma sala comercial em Videira (SC).

Procurado pelo iG , Saul Brandalise Júnior não se manifestou sobre as acusações, informando que os advogados deverão se pronunciar sobre o caso nesta quinta-feira. Brandalise, filho do fundador da Perdigão, é dono atualmente da Central Barriga Verde de Comunicação, de Florianópolis.

A família Brandalise vendeu a Perdigão em 1994 para oito fundos de pensão, entre eles a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, após enfrentar uma séria crise financeira no início dos anos 90. Em 2009, a Perdigão e a Sadia combinaram suas operações e criaram a BR Foods, que se tornou a maior processadora de carne de frango do mundo em faturamento. Procurada, a BR Foods, que passou a ser a sucessora da Perdigão, não quis se manifestar sobre as denúncias envolvendo os antigos controladores da empresa.

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