Argentina, Paraguai e Uruguai propuseram uma elevação de 10% para 35% na tarifa externa comum do cereal

 O Ministério da Agricultura vai convocar na próxima semana a cadeia produtiva do trigo para discutir a proposta de elevação da Tarifa Externa Comum (TEC) do cereal de 10% para 35%. O ministro Wagner Rossi disse nesta segunda-feira em Buenos Aires que a mudança na TEC foi proposta pelos ministros de Agricultura da Argentina, do Paraguai e do Uruguai e pelo "grupo parlamentar que atua na área do trigo nos Estados produtores - sobretudo Rio Grande do Sul e Paraná - que manifestaram necessidade de maior proteção desse setor".

Rossi revelou que "há uma pressão muito forte" de países que não integram o Mercosul para exportar trigo para o Brasil, como Rússia e Ucrânia. Segundo o ministro, eles "já ofereceram boas condições de negociações". Contudo, Rossi afirmou que a política do governo do Brasil é de dar prioridade à importação do Mercosul. Segundo o ministro, seu colega argentino, Julian Domínguez, demonstrou que "existe uma boa perspectiva de produção de trigo neste ano", o que garantiria um saldo exportável maior que o da safra anterior.

No ano passado a forte estiagem e a falta de estímulos à produção provocaram uma quebra da safra argentina e o país exportou somente 3,2 milhões de toneladas de trigo ao Brasil, abaixo, portanto, do volume médio importado pelos moinhos brasileiros, entre 4,5 milhões a 5,5 milhões de toneladas por ano. Na reunião que deve ser realizada em Brasília, Rossi pretende estabelecer um cronograma para a importação do grão.

"A liberação deste volume razoável de importação de trigo para os moinhos brasileiros será feita mediante um acordo que nós vamos fazer para a compra do trigo nacional, para que não haja um acúmulo de estoque de trigo oriundo dos países vizinhos antes de que haja uma equação para o produtor brasileiro", ressaltou Rossi. Segundo ele, o cronograma será fixado para que a importação "não seja feita em detrimento do produtor brasileiro, pelo contrário, para que seja feito no volume que complete, juntamente com a produção nacional, a necessidade de consumo brasileiro".

Safra brasileira

O ministro disse que a expectativa da safra de trigo brasileira é de atingir 50% da demanda doméstica. "O restante é importado, mas não podemos fazer essa importação de uma maneira que abasteça rapidamente a cadeia produtiva e o trigo brasileiro fique sem destinação", disse, referindo-se à concentração das compras da indústria no mercado interno entre novembro do ano passado e fevereiro deste ano e da fraqueza na comercialização desde então.

O secretário de Relações Internacionais do ministério de Agricultura, Célio Porto, afirmou que os moinhos localizados no interior preferem consumir produto nacional, enquanto que os que estão próximos dos portos priorizam o importado e, por isso, acumulam estoques, o que compromete a comercialização da safra brasileira. Rossi informou que a decisão do governo brasileiro sobre a TEC será tomada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e que sua pasta vai encaminhar somente um parecer técnico sobre o assunto, o qual será emitido após a reunião com a cadeia produtiva.

"O ministério da Agricultura é um ministério do produtor, da produção, e quando vou à Camex vou com a ótica do produtor. Mas tenho que ter um diálogo amplo com a cadeia produtiva porque a defesa do produtor é também a defesa da cadeia produtiva. Não adianta defender o produtor se a cadeia não estiver contemplada, porque haverá nós, haverá dificuldade."

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