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Falta de bois faz frigorífico dar férias coletivas

Grupo JBS suspendeu trabalhos por 30 dias nas unidades de Anápolis (GO) e Cáceres (MT)

AE |

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A oferta escassa de bois no mercado levou o Grupo JBS a dar férias coletivas de 30 dias nas unidades de Anápolis (GO) e Cáceres (MT). A Agência Estado apurou que uma das quatro fábricas no Pará da maior companhia de proteína animal do planeta também paralisará as atividades e que o abate em uma das unidades de Campo Grande (MS) deverá ser suspenso entre sábado (14) e segunda-feira (16) pelo mesmo motivo. Procurada pela reportagem, o JBS ainda não se pronunciou.

O fim do período de férias, em setembro, coincidirá com o possível aumento da oferta de bovinos, já que no próximo mês animais que foram confinados durante o período da seca devem estar disponíveis. A oferta, no entanto, ainda é incerta, já que os principais confinadores informaram uma redução no número de animais este ano em virtude do alto preço do boi para a engorda.

Em Anápolis, de acordo com funcionários da unidade do JBS, a maioria dos 450 empregados inicia as férias coletivas na segunda-feira. Apenas o setor de vendas e alguns funcionários de logística permanecerão na planta industrial. Com a escassez de animais, a companhia, que pagava R$ 69 por arroba do boi gordo, a prazo, negociava animais hoje a R$ 82 a arroba, sem muita oferta.

Corretores relataram que a oferta restrita e a demanda em alta fizeram com que fêmeas fossem negociadas a R$ 82 a arroba a prazo em Goiás, o que é incomum no mercado. "É vaca a preço de boi", disse um corretor. O presidente do Sindicato Rural de Cáceres, João Oliveira Gouveia Neto, confirmou que o JBS deu férias coletivas e suspendeu desde segunda-feira o abate de gado na unidade instalada no município, a 225 quilômetros a oeste de Cuiabá.

Segundo Gouveia Neto, a explicação dada pela empresa também foi a falta de boi acabado pronto para abate. A planta industrial do JBS em Cáceres, que emprega 550 funcionários e tem capacidade para abater 600 animais por dia, deve retomar as atividades também em 30 dias. Gouveia Neto afirmou que os criadores estão vendendo gado para a unidade do JBS situada em Araputanga, a 100 quilômetros de Cárceres. Segundo ele, mesmo com menor disponibilidade de gado os preços na região se mantêm em R$ 77 para boi gordo e R$ 72 para a vaca gorda.

O maior problema para os criadores de Cáceres, explica Gouveia Neto, é que a unidade do JBS de Araputanga é habilitada para exportação e não abate fêmeas, maior parte do gado comercializado pelos criadores do município, com 58% do território em áreas do Pantanal. Além de Araputanga, o JBS tem outras duas plantas que podem comprar o gado do município: Quatro Marcos e Cuiabá. A quarta opção para os criadores é a planta da Perdigão que fica em Mirassol D'Oeste (MT).

O diretor superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, questiona a justificativa de concessão de férias coletivas por causa da falta de gado para abate, principalmente na região que concentra o maior rebanho de Estado. Ele diz que, na realidade, a oferta é restrita e, por isso, os frigoríficos estão adotando a estratégia de comprar "da mão para a boca", operando muitas vezes com 60% da capacidade de abate.

 

 

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