Câmara pode liberar negócios de empresas controladas por estrangeiros

Negociação exclui das restrições os setores de produção de açúcar e de álcool e de papel e celulose

AE | 13/12/2011 21:03

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Enquanto o governo tenta limitar a compra e o arrendamento de terras por estrangeiros, a Câmara vota amanhã proposta que libera negócios de empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro em setores considerados estratégicos.

Negociação na subcomissão da Câmara que cuida do assunto exclui das restrições os setores de produção de açúcar e de álcool e de papel e celulose. Pela proposta de acordo entre deputados, a autorização dependeria de decreto do presidente da República.

O acordo é negociado pelo relator Beto Faro (PT-AC) para evitar que seu relatório, que acompanha as restrições impostas pelo governo às empresas brasileiras de capital estrangeiro, seja derrotado pela subcomissão da Câmara que debate a compra e o arrendamento de terras por estrangeiros. Proposta alternativa libera completamente essas empresas de restrições, como o limite de 25% da área de um município para a soma de terras em mãos de estrangeiros.

Leia mais: Instrução regula compra e uso de terra por estrangeiro

Deputados ligados ao agronegócio encamparam o lobby de empresas do setor, liderado pela Bunge. Esse lobby alega que investimentos bilionários no Brasil foram suspensos desde agosto passado por limites à compra e ao arrendamento de terras. Cadastro do Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) indica que há cerca de 45 mil km2 de terras no Brasil em mãos de estrangeiros, mas o próprio instituto acredita que os dados oficiais estejam distantes da realidade.

Por mais de dez anos, empresas brasileiras controladas por estrangeiros deixaram de registrar negócios com terras. O resultado da votação marcada para o início da tarde de amanhã é incerto. Persiste a divisão dos deputados, após quase seis meses de audiências públicas e debates.

A polêmica conta um ano e três meses, desde que a Advocacia-Geral da União editou parecer submetendo empresas brasileiras controladas por estrangeiros aos mesmos limites impostos em lei para empresas estrangeiras. Oficialmente, nenhum negócio feito por empresas brasileiras de capital estrangeiro foi registrado desde então.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ)investiga o uso de "laranjas" nas transações. Em seu trabalho, o relator Beto Faro (PT-AC) encampou as ideias do governo favoráveis a barreiras aos estrangeiros. "Estaríamos na contramão do movimento contemporâneo global ao pretendermos a liberalização da aquisição de terras por estrangeiros no Brasil", alega o deputado no relatório, no qual cita tendência mundial de regulação dos mercados financeiro e de alimentos, em decorrência da crise econômica global de 2008.

Mas Faro cedeu às pressões. O projeto apresentado por ele à subcomissão da Câmara limita ainda mais a compra e o arrendamento de terras por empresas e ONGs estrangeiras a 2.500 hectares. Empresas brasileiras controladas por estrangeiros podem comprar ou arrendar até 5.000 hectares. Mas projetos nas áreas de energia e florestal poderiam ser liberados do limite por meio de decreto presidencial, propõe.

O deputado vinha adiando a votação do relatório a pedido da chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. O Planalto teme que o tema polêmico atrapalhe a votação da emenda constitucional que prorroga a Desvinculação de Receitas da União (DRU). Além disso, o governo prepara, há mais de dois anos, sua própria proposta para regular a compra de terras por estrangeiros.

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