Após eleição, gasolina vai subir na bomba

Embora amortecido, o aumento chegará aos consumidores. Projeções apontam para um reajuste de 4,6% na gasolina e de 5,9% no diesel

Juliana Garçon - Brasil Econômico |

Com a defasagem entre os preços domésticos e internacionais da gasolina e do diesel chegando a 30%, um reajuste dos combustíveis parece inevitável num horizonte próximo, o que deve se consolidar logo depois das eleições municipais. A projeção é da Tendências Consultoria, que estima em 10% a elevação dos combustíveis na refinaria.

Embora amortecido, o aumento chegará às bombas dos postos — 4,6% para a gasolina e 5,9% no diesel —, ao contrário do que aconteceu nas últimas correções dos preços dos combustíveis — que em julho atingiram gasolina e diesel e, em agosto, apenas o diesel. Desta vez, a alta chega ao consumidor porque não há mais margem de compensação via redução da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou novos aumentos nos preços dos combustíveis no curto prazo: “Já reajustamos os preços duas vezes esse ano. Não dá para ficar toda hora pensando em reajuste. Não sei quando haverá outro”, disse em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.

O descolamento entre os preços internos e as cotações internacionais se manteve, apesar dos reajustes, porque a alta foi mais aguda no mercado global.

Desde julho, com a redução na oferta pelo Irã, o preço do barril de petróleo vem flutuando acima da faixa de US$ 100. Contudo, os preços atuais da gasolina nos postos brasileiros são condizentes com o petróleo Brent a US$ 87 o barril.

O descasamento impõe prejuízos à Petrobras, que, para atender o mercado interno, importa gasolina e diesel e preços mais elevados dos que aqueles que pratica aqui. No segundo trimestre deste ano, o prejuízo da companhia foi de R$ 1,3 bilhão, sendo que a área de abastecimento foi a que teve a maior contribuição negativa, de R$ 11,6 bilhões. “É insustentável no longo prazo”, diz o analista Walter De Vitto.

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Ele ressalta que, apesar da demanda enfraquecida nos últimos meses, devido à crise na Europa e nos EUA, problemas nas áreas produtivas — Mar do Norte, Sudão do Sul e Síria — manterão as cotações pressionadas.

“E, tendo em vista a limitada capacidade de refino do país, a perspectiva de expansão da economia — e da demanda por combustíveis — e a manutenção do quadro de escassez do etanol, a tendência de aumento das importações de gasolina e diesel deve se manter.

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Se o governo permitir o incremento nos preços dos combustíveis, o Brasil entrará em 2013 com pressão inflacionária sobre o setor de transportes e a indústria — que aparecerão no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor), indicador oficial do país, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

“É um contra-senso permitir essa alta num momento em que se fala, por exemplo, em desoneração da energia para dar mais competitividade à indústria”, avalia Antônio Carlos Gois, analista senior da Tov Corretora.

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