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Entre as reivindicações, trabalhadores se mostram contrários a mudanças no plano de saúde e às propostas que defendem a privatização da companhia

Trabalhadores dos Correios em Roraima recusaram a greve; Amazonas, Amapá e Sergipe podem aderir a qualquer momento
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Trabalhadores dos Correios em Roraima recusaram a greve; Amazonas, Amapá e Sergipe podem aderir a qualquer momento

Os funcionários dos Correios de diversos estados aderiram à à greve em 22 estados e o Distrito Federal. Em outros três estados, os serviços podem ser paralisados a qualquer momento. Os sindicatos afirmam que a adesão é maior entre os trabalhadores do setor de entrega, onde estão concentrados os carteiros.

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De acordo com a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), que responde por 31 sindicatos, a greve ocorre nos seguintes: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo (regiões de Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos, Santos e Vale do Paraíba), além do Distrito Federal.

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Os estados de Amazonas, Amapá e Sergipe estão em estado de greve. A condição indica que a paralisação poderá ocorrer a qualquer momento. Em Roraima, os trabalhadores filiados ao Sintect (Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) não aderiram à paralisação.

A Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios), que também representa os trabalhadores em outros estados, afirmou que seus cinco sindicatos filiados aderiram à paralisação dos serviços. Entre eles, estão São Paulo, Bauru, Rio de Janeiro, Maranhão e Tocantins.

Entre as reivindicações, a categoria é contrária às mudanças no plano de saúde da empresa, que preveem o pagamento de mensalidades pelos funcionários e a retirada de dependentes dos contratos. "Além disso, o benefício poderá ser reajustado conforme a idade, chegando a mensalidades acima de R$ 900", informou a Fentect, em nota, ressaltando que o salário médio nos Correios é de R$ 1,6 mil, "o pior salário entre empresas públicas e estatais".

"Movimento agrava situação"

Em nota, os Correios reconheceram a greve como um direito dos trabalhadores. No entanto, a empresa afirmou que "um movimento dessa natureza, neste momento, serve apenas para agravar mais a situação delicada pela qual passam os Correios, o que afeta não apenas a empresa, mas também os próprios empregados".

O início da paralisação coincide com o julgamento sobre o plano de saúde dos trabalhadores no Tribunal Superior do Trabalho (TST), referente à última negociação salarial. De acordo com a empresa, a questão foi discutida "exaustivamente com representantes dos trabalhadores" antes de chegar ao tribunal.

"A empresa aguarda uma decisão conclusiva por parte daquele tribunal para tomar as medidas necessárias, mas ressalta que já não consegue sustentar as condições do plano, concedidas no auge do monopólio, quando os Correios tinham capacidade financeira para arcar com esses custos", diz a nota.

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Segundo o secretário-geral da Fentect, José Rivaldo da Silva, a empresa destina 9% da receita com o plano de saúde, o mesmo percentual de dez anos atrás. Para ele, os Correios não querem discutir a melhoria dos seus processos produtivos e da gestão da empresa. "Isso é fruto de uma política a ser pensada lá na frente para entregar a empresa pública [à iniciativa privada]", disse.

* Com informações da Agência Brasil.

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