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Startups do setor financeiro cresceram 140% no ano passado e prometem atrair cada vez mais os clientes de grandes bancos com os seus serviços

Facilitando pagamentos de brasileiros em sites do exterior, Ebanx se tornou uma das fintechs mais importantes do País
Ricardo Franzen/Ebanx
Facilitando pagamentos de brasileiros em sites do exterior, Ebanx se tornou uma das fintechs mais importantes do País

As startups do setor financeiro, conhecidas como fintechs, chegaram no Brasil para ficar. Essas empresas são criadas, em linhas gerais, com o objetivo de simplificar processos que costumam ser feitos por grandes companhias.

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De acordo com a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), o número de startups do tipo chegou a 320 no ano passado. Na comparação entre 2016 e 2017, houve um crescimento significativo, superior a 140%.

Um dos exemplos de fintechs que vêm realizando um trabalho promissor no País é a Ebanx. A empresa foi criada para facilitar pagamentos de brasileiros em sites do exterior, oferecendo opções como boleto e transferência bancária dentro de sites parceiros que só aceitavam cartão de crédito internacional e, dessa forma, restringiam o acesso. 

Segundo João Del Valle, co-fundador e CTO da Ebanx, a empresa permitiu que 100% dos brasileiros tivessem a possibilidade de fazer compras internacionais. "Processamos milhões de pagamentos por mês, conseguimos crescer 105% em 2017. As áreas de e-commerce e pagamentos estão em crescimento. A economia e a cidadania são cada vez mais globais. Estamos surfando nessa onda", diz o empreendedor.

Para Del Valle, o crescimento das fintechs pode ser explicado pela tecnologia utilizada e a capacidade de resolver problemas de maneira mais veloz. O CTO exemplifica a situação dizendo que cada startup do setor financeiro busca realizar com mais agilidade algum dos serviços prestados pelos grandes bancos.

"Com o momento tecnológico que a gente vive, criou-se um momento para avançar no mundo inteiro. Falando de tecnologia em termos amplos, penetração de internet, dispositivos moveis, isso acaba criando um momento único que permite toda essa inovação", afirma.

O empresário acredita ainda que, para não perder espaço para os grandes bancos, as startups precisam seguir "lutando para sobreviver", sem dar passos maiores que as pernas. "É preciso fazer tudo sob demanda e quando precisar. Não gastar nenhum recurso que não esteja gerando valor. Tem que ir atrás do seu cliente, ver se o produto é viável no mercado", recomenda Del Valle.

Seguindo seus princípios, o Ebanx conseguiu expandir sua operação e chegar em outros países da América Latina. "Em 2014 a gente percebeu que esse problema de pagamentos existe em todos os mercados emergentes, pois há muita população desbancarizada e economia informal", explica. Del Valle diz que o México é segundo mercado mais importante para a empresa, seguido por Colômbia e Argentina, que também apresenta um crescimento muito grande. 

João Del Valle, co-fundador do  Ebanx, acredita que as fintechs devem sempre seguir a demanda dos consumidores
Bruno Covello
João Del Valle, co-fundador do Ebanx, acredita que as fintechs devem sempre seguir a demanda dos consumidores

Entre as principais fintechs do Brasil também está o Nubank . A empresa, que começou como uma operadora de cartões de crédito, lançou uma conta digital no fim de 2017 e agora recebeu autorização do presidente Michel Temer para se tornar um banco. 

O fundador e CEO da startup, David Vélez, acredita que o grande diferencial do Nubank seja "uma combinação eficiente de tecnologia, design e dados com uma experiência de usuário incrível". Juntando tudo isso, a empresa foi capaz de criar o que ele classifica como o melhor cartão de crédito do Brasil.

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Como contamos com um sistema de canais exclusivamente digital e não temos agências ou qualquer presença física, podemos oferecer toda a eficiência e inovação do nosso modelo de negócios sem precisar cobrar nenhuma tarifa dos nossos clientes. Nesse ponto foi importante pensar desde o começo em uma estrutura tecnológica que nos permitisse escalar rapidamente e de maneira estável", diz. "Ao mesmo tempo, nós desenvolvemos um aplicativo móvel que dá informação e transparência para os nossos usuários, melhorando sua experiência e ainda permitindo que possamos escalar o atendimento ao consumidor", prossegue Vélez. 

A grande aderência dos brasileiros às fintechs pode ser explicada, segundo o CEO do Nubank, pelo controle que os consumidores conquistam sobre o seu dinheiro ao utilizar os seviços destas startups. "As pessoas estavam cansadas de se sentirem enganadas ou confusas quando o assunto é dinheiro. Elas querem ter controle sobre suas finanças, e um atendimento que realmente resolve problemas", explica.

Para ele, o setor financeiro do Brasil é altamente concentrado, fazendo com que as pessoas paguem um dos juros mais altos do mundo e, ao mesmo tempo, sofram com experiências ruins como consumidores. Por isso, Vélez acredita que, no caso do Nubank, não cobrar anuidade seja apenas um benefício, e não o atributo principal. "Para o consumidor, o que realmente importa é o serviço que oferecemos. É ter um aplicativo que funciona em tempo real e não deixa o cliente na mão. Saber que, se precisar entrar em contato com o nosso atendimento, terá seu problema resolvido de maneira rápida e eficiente", reforça o empresário.

Além disso, Vélez crê que o mercado financeiro no Brasil estava estagnado antes da ascensão das fintechs, "marcado pela predominância de poucas empresas de grande porte". Segundo o fundador do Nubank, esse cenário é altamente prejudicial à inovação e, consequentemente, ao consumidor também.

David Vélez, fundador e CEO do Nubank, diz que fintechs devem usar a facilidade de inovação para se destacar frente aos grandes bancos
Divulgação
David Vélez, fundador e CEO do Nubank, diz que fintechs devem usar a facilidade de inovação para se destacar frente aos grandes bancos

"Mais concorrência no setor e mais alternativas para os consumidores sempre serão fatores positivos. Desde que lançamos o Nubank vimos um crescimento exponencial no número de fintechs, mas, assim como em qualquer setor de startups, acredito que teremos também um processo natural de maturação – com algumas empresas fechando, outras sendo adquiridas por bancos , e apenas algumas poucas mantendo uma trajetória de longo prazo. O nosso foco é estar entre essas últimas", afirma Vélez.

Em relação às medidas a serem tomadas pelas fintechs para evitar que sejam "engolidas" por grandes bancos, Vélez destaca a inovação como um fator essencial – não só neste setor, mas em qualquer mercado. Ele diz ser necessário estar atento às mudanças do consumidor e de tudo que ele deseja. 

"No Nubank, quando pensamos em um produto, primeiro procuramos entender o que as pessoas realmente querem para depois desenhá-lo, e não o contrário. Como já nascemos digitais, com uma estrutura tecnológica baseada na nuvem da AWS (Amazon Web Services) que nos dá a flexibilidade necessária para adaptações rápidas, conseguimos fazer mudanças diárias nos nossos produtos. Diferente das startups, que têm inovação no DNA, os grandes bancos têm que lidar com sistemas legados e uma estrutura cultural e organizacional que dificulta mudanças", finaliza o CEO.

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Usando tecnologia e inovação como alicerces, as fintechs chegam com a missão de desburocratizar processos e facilitar a vida dos clientes. Cumprindo funções tão importantes com qualidade, é difícil imaginar qualquer cenário que não seja o crescimento das empresas que já estão no mercado e o surgimento de novas startups. O setor financeiro agradece, e o consumidor também.

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