Trabalhadores estão com contratos suspensos após acordo para evitar demissões. Setor está com estoque elevado

Metalúrgicos da GM de São José dos Campos aceitaram PLR de R$ 5.600 na terça-feira (26)
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Metalúrgicos da GM de São José dos Campos aceitaram PLR de R$ 5.600 na terça-feira (26)

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (a 100 km de SP) informou neste sábado (30) que a General Motors enviará hoje 517 telegramas de demissão a trabalhadores que estão com os contratos de trabalho suspensos (lay-off) desde agosto de 2015. A comunicação ao sindicato sobre e decisão foi feita na noite de sexta-feira (29). 

Ao longo desta semana, o sindicato tentava impedir as demissões, mas o presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, estima um número maior de pessoas que deveriam voltar para a fábrica nesta segunda-feira (1º).

O Sindicato informou que tentará agendar uma reunião com a GM e está convocando todos os trabalhadores com contratos suspensos para uma assembleia na quinta-feira (4), na sede da entidade na cidade.

Em agosto de 2015, a GM havia demitido 798 trabalhadores. Pressionada pela greve deflagrada por todos os trabalhadores da fábrica, a montadora assinou acordo no Tribunal Regional do Trabalho – 15ª. Região, colocando esses funcionários em lay-off.

O acordo celebrado na ocasião prevê que cada adesão ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) aberto pela empresa resultará no abatimento do número de excedentes (798) considerado pela companhia. Também deverão ser considerados no cálculo os trabalhadores que se desligaram da fábrica (entre agosto de 2015 até hoje), mesmo não estando em lay-off.

Há mais de um ano as montadoras que atuam no Brasil vivem em queda de braço com sindicatos e até com o governo para tentar demitir um número grande de funcionários, que resultaram em piquetes em portas de fábricas ao longo de todo o ano de 2015. De um lado, as empresas sofrem com altos estoques e quedas consecutivas nas vendas de unidades, afetadas pela baixa demanda e crise econômica. De outro, o governo oferece benefícios para o setor, tendo desenhado até um Programa de Proteção ao Emprego para evitar as demissões.

Segundo balanço do ano de 2015 da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a venda de veículos caiu 26,6% em 2015, com a comercialização de 2,57 milhões de unidades. Em 2014, foram vendidas 3,50 milhões de unidades. Já a produção caiu 22,8% (2,43 milhões) na comparação com o ano anterior, quando a produção alcançou 3,15 milhões.

O setor fechou o ano com 130 mil funcionários diretos, uma queda de 10,2% na comparação com 2014, o que fez o nível de emprego retroagir aos números de 2009 e 2010.

2015 teve diversas paralisações em montadoras no País para evitar demissões:



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