Lufthansa traz avião mais longo do mundo ao Brasil

Por Bárbara Ladeia - iG São Paulo | - Atualizada às

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Jumbo deverá operar o trecho entre São Paulo e Frankfurt (Alemanha) e ampliará a oferta de passagens em 20%

Em meio a mistérios que ainda rondam o voo MH370, operado por um Boeing 777 da Malaysia Airlines, desaparecido desde o dia 8 de março, a Boeing vem a público nesta segunda-feira (31) para apresentar a nova aeronave da Lufthansa. Trata-se de um modelo 747-8 Intercontinental, um Jumbo.

O Jumbo tem 76,3 metros operará no vôo entre São Paulo e Frankfurt (Alemanha) nesta segunda-feira (31). "Conseguir autorização junto ao governo não tem sido fácil", diz Donna Hrinak, presidente da Boeing Brasil.

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A aeronave nova aumenta em 20% a oferta de assentos nesse voo, que tem maior demanda para viajantes de negócios, segundo Annette Taeuber, diretora-geral da Lufthansa para o Brasil. "Essa aeronave não vai atender apenas a demanda da Copa e até por isso temos um número grande de assentos na classe executiva", disse ao iG. A aeronave comporta 386 passageiros e a companhia opera no País desde 1956.

Área de descanso da tripulação no 747-8 da Lufthansa. Foto: Barbara Ladeia/iGPrimeira classe do jumbo 747-8 da Lufthansa. Foto: Barbara Ladeia/iGCabine do avião 747-8 da Lufthansa. Foto: Barbara Ladeia/iGAssentos da classe executiva do 747-8 da Lufthansa. Foto: Barbara Ladeia/iGAssentos da primeira classe do 747-8 da Lufthansa. Foto: Barbara Ladeia/iGDonna Hrinak no 747-8 da Lufthansa. Foto: Barbara Ladeia/iGLufthansa inaugura o seu 747-8 Intercontinental, da Boeing. Foto: DivulgaçãoLufthansa encomendou 19 unidades e já recebeu 11 aviões 747-8 Intercontinental. Foto: DivulgaçãoAeronave vem com software que pode comprometer o pouso: atualização já foi solicitada. Foto: DivulgaçãoOrdem para atualização do software veio dos Estados Unidos, mas Boeing replicou em todo o mundo. Foto: DivulgaçãoSegundo a Boeing, a possibilidade de erro do software é remota. Foto: Divulgação747-8 Intercontinental, da Boeing, tem área interna inspirada no Dreamliner. Foto: DivulgaçãoLufthansa inaugura o seu 747-8 Intercontinental, da Boeing. Foto: Divulgação

O Jumbo promove um ganho de eficiência de 15% na utilização de combustível. Embora 40% custo operacional de uma operadora seja o combustível, o passageiro não deve esperar reduções. Gabriel Leupold, diretor da Lufthansa para a América Latina, diz que não "há correlação de preço entre economia de combustível e preço das passagens.

Para o Rio de Janeiro, será adicionado 60% em capacidade de passageiros já que o 747-4 que operava entre São Paulo e Frankfurt passará a operar entre Alemanha e Rio de Janeiro. A empresa conseguiu três voos adicionais para o período dos jogos.

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Leupold acredita que há demanda no Brasil para diferentes mercados, desde que as empresas sejam alemãs. "Nossos vizinhos na Europa estão em condição diferente da nossa. Acho que eles veem a demanda brasileira com mais cautela", diz.

Avião operará em novo terminal em Guarulhos

O gigante da Lufthansa deverá operar no terceiro terminal do GRU Airport, que ainda não está pronto. Antonio Miguel, presidente do GRU Airport, afirma que a pista terá de ter manutenção diferenciada, devido ao peso e às dimensões da aeronave.

Barbara Ladeia/iG
Donna Hrinak brinca de aeromoça no 747-8 da Lufthansa

Miguel afirma que o Terminal 3 já está com obras 98,5% concluída. "Dia 11 de maio ele estará pronto", diz. Serão 24 companhias operando no terminal até setembro. Lufthansa, TAP e Swiss serão as três primeiras empresas a migrar para o novo terminal.

Correção técnica foi solicitada pela FAA

Competindo com o gigante A380, da francesa Airbus, o 747-8 Intercontinental da Boeing já enfrenta questionamentos. Com 66 aeronaves entregues, a Administração Federal de Aviação (FAA) americana solicitou a remoção de um software defeituoso relacionado aos motores da GE.

O software não chegou a apresentar problemas e a Boeing já recomendou a atualização do produto em todas as aeronaves, mesmo as que operam fora dos Estados Unidos, onde a decisão legal vigora. Segundo Donna, da Boeing, a maior parte das empresas aéreas já fez a atualização do software.

Adalberto Febeliano, professor de transporte aéreo da Anhembi Morumbi, destaca não há grandes risos envolvidos. "Ninguém precisa se preocupar: nem quem voa na aeronave nem quem mora em volta de aeroportos", diz.

No entanto, ele afirma que a preocupação do FAA parece grande, uma vez que solicitaram a alteração de todas as aeronaves que operam nos Estados Unidos até o dia 8 de abril.

Para ele, a decisão não está relacionada aos problemas do 787 Dreamliner, último modelo lançado pela companhia, que apresentou problemas nas baterias e rachaduras nas asas. Na época de seu lançamento, em 2007, a aeronave foi um sucesso de vendas, com 670 unidades encomendadas já no dia do lançamento.

A presidente da Boeing Brasil afirma que, embora haja boas semelhanças entre o Dreamliner e o novo Jumbo, a bateria não é um componente em comum entre os modelos. "O primeiro voo do 747 foi em 2011, temos mais experiência quanto aos problemas que ele poderia apresentar do que tínhamos com o Dreamliner", afirma a executiva.

No longo prazo, reputação da Boeing segue intocada

Mesmo com esses percalços, nem mesmo o desaparecimento do voo MH370, da Malaysia Airlines foi capaz de derrubar a percepção dos investidores e clientes sobre a empresa. No ano passado, a empresa teve um ganho de 6% sobre o seu faturamento, totalizando US$ 86 bilhões.

Para os próximos cinco anos, a expectativa dos analistas é de um crescimento de mais de 10% no valor de mercado da empresa. Este trimestre, no entanto, deve vir com resultados fracos, 9% inferiores ao trimestre passado, segundo os analistas consultados pelo Yahoo Finances.

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