Com Seara, JBS prevê endividamento abaixo de quatro vezes no fim do ano

Meta da companhia é reduzir a alavancagem para menos de três vezes até o final de 2014

Reuters |

Reuters

A alavancagem da brasileira JBS, maior exportadora global de carnes, aumentará com a incorporação da Seara, mas uma maior geração de caixa deve compensar a alta da dívida, disse nesta quinta-feira (15) o presidente da companhia, Wesley Batista, um dia depois da divulgação dos resultados trimestrais.

Ao final do segundo trimestre, a JBS tinha alavancagem (relação dívida líquida/Ebitda) de 3,28 vezes.

-Veja também: JBS tem alta de 99,7% no lucro líquido no segundo trimestre

"Contando com o resultado pro forma da Seara, nós acreditamos que vamos estar com alavancagem abaixo de quatro vezes, mesmo após a aquisição", disse Batista.

O executivo ponderou que a alavancagem poderá até ficar acima da média das empresas do setor, mas minimizou o impacto para a gigante do setor de carnes.

"É natural que, com uma aquisição do porte da Seara, a alavancagem suba um pouco, mas estamos confiantes na capacidade da empresa de fazer caixa e trazer isso rápido para níveis atuais ou abaixo", disse ele.

AP
Para presidente da JBS, é natural que a alavancagem da empresa suba um pouco com a aquisição da Seara

A meta da companhia, para o final de 2014, é reduzir a alavancagem para menos de três vezes, apontou.

A JBS comprou a Seara Brasil, divisão de aves e suínos da Marfrig no início de junho, em uma operação que envolveu a assunção de R$ 5,85 bilhões em dívidas e a levou à liderança global na produção de aves.

A grandeza da operação e os seus efeitos para a companhia são acompanhados pelo mercado.

"A experiência com a Sadia e a Perdigão mostrou que qualquer processo de fusão não é tão simples assim, que as sinergias não aparecem tão facilmente", disse o analista chefe da XP Investimentos, William Alves.

Para o analista, a aquisição da Seara consolidou uma série de investimentos da JBS nos últimos anos, os quais a empresa deve colher frutos. Mas ele ponderou que será preciso olhar atentamente os resultados para ver se a empresa entrega o que propôs.

A operação ainda depende de aprovação do órgão antitruste (Cade) para ser finalizada, mas R$ 2,85 bilhões da dívida bruta já foram transferidos para a JBS, segundo informou a Marfrig ao divulgar seu resultado trimestral.

"Mais de 95% da dívida (da Seara) já está negociada, aprovada e aguardando aprovação do órgão regulador para formalizar a transferência da dívida", disse Batista mais cedo a analistas em teleconferência.

O executivo acrescentou que os bancos credores da Seara também são "parceiros" da JBS, e a expectativa é ter um perfil melhor do endividamento e uma redução de 2% no custo total da dívida.

Mesmo com a assunção da dívida da Seara, a JBS espera manter o processo de redução de seu índice de endividamento, disse Batista. A relação dívida líquida/Ebitda da JBS caiu para 3,28 vezes ao final do segundo trimestre, ante 3,4 vezes no final do trimestre anterior.

O lucro da JBS dobrou no segundo trimestre de 2013, somando R$ 338 milhões, ante igual período do ano passado, em número próximo das estimativas do mercado.

As ações da JBS fecharam em baixa de 3%, enquanto o Ibovespa encerrou praticamente estável.

Câmbio

A política de hedge da empresa limitou as perdas pelo impacto cambial, que somaram cerca de R$ 270 milhões no período, devido à alta do dólar, disse o executivo.

"Nós 'hedgeamos', e acreditamos que acertamos bastante, porque tivemos um impacto pequeno comparando com a exposição cambial da empresa, não fosse isso a perda poderia chegar a um bilhão (de reais)", disse Batista, em conferência com analistas para comentar o resultado trimestral.

No final do trimestre, 80% da dívida consolidada da companhia era denominada em dólares ao custo médio de 6,95% ao ano.

O dólar renovou uma máxima de mais de quatro anos frente ao real nesta quinta-feira (15), fechando a R$ 2,3385 na venda.

Perspectivas

Olhando para o segundo semestre, o presidente da JBS apontou um cenário favorável nas divisões de aves e bovinos nos Estados Unidos.

"Estamos confiantes de que teremos margens bastante positivas em aves nos Estados Unidos", disse Batista.

A JBS controla a Pilgrim's Pride nos EUA, divisão que teve um crescimento de 175% no lucro líquido no segundo trimestre, em meio à acomodação dos preços de grãos, que no ano passado atingiram níveis recordes.

O benefício do recuo nos preços de grãos deve ficar mais evidente no final do ano, já que neste trimestre a indústria ainda opera com grãos remanescentes da safra anterior, comprados a preços mais elevados, disse o executivo.

A JBS espera uma queda de cerca de US$ 2 por bushel no preço médio do milho no final do ano. O cereal é o principal insumo da indústria de aves, com forte impacto no custo de produção.

O negócio de bovinos nos EUA já teve desempenho operacional melhor neste trimestre, com a margem Ebitda ficando em 3,4%, revertendo as margens negativas do mesmo período no ano passado e do trimestre anterior.

No Brasil, a expectativa é de melhora das vendas em meio à campanha de marketing que a companhia vem fazendo junto aos consumidores finais, mas o executivo não detalhou a expectativa.

A JBS prevê aumentar o confinamento em 30% acima da média do mercado, que estima entre 5% e 10% de aumento, de olho no potencial de exportação. Ele destaca a sazonalidade do setor, com vendas mais firmes no segundo semestre, e o câmbio que dá mais competitividade ao País.

    Leia tudo sobre: commoditiesJBSSearaempresasnegócios

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG