Subsidiária brasileira da SAP já é a quarta maior do mundo

Diversificação dos negócios puxa resultado da empresa alemã desenvolvedora de software

Brasil Econômico - Gabriel Ferreira |

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Os últimos 100 dias têm sido bastante agitados para o executivo argentino Diego Dzodan. Nesse período, Dzodan assumiu a presidência da SAP no Brasil e começou um exaustivo trabalho que tem como objetivo manter o crescimento acelerado da empresa no país. “Visitei mais de dois clientes por dia, em média”, afirmou com exclusividade ao BRASIL ECONÔMICO. Nessas ocasiões, o executivo procurou conhecer todo tipo de consumidor. “É compreendendo as necessidades de cada cliente de perto que temos a oportunidade de explicar como a tecnologia pode impactar na produtividade de seu negócio.”

Não se sabe ao certo o peso que as visitas de Dzodan tiveram nos resultados da empresa no terceiro trimestre deste ano. De qualquer forma, os números são positivos. O faturamento da subsidiária brasileira da SAP cresceu 37% na comparação com o mesmo período do ano passado. Quando analisadas somente as vendas de software, eixo central do portfólio da companhia, as vendas subiram 60%. “Crescer dois dígitos em uma economia que cresce um, é um resultado muito forte”, afirma Dzodan, que não abre os números absolutos da subsidiária.

Além de serem porcentagens animadoras, o aumento nas receitas fez a operação local se tornar a quarta mais importante da companhia em todo o mundo, atrás apenas de Estados Unidos, Alemanha e Japão. “Chegar a essa posição foi uma injeção de energia em toda a equipe”, diz Dzodan. “Agora, o salto para alcançar a terceira posição não precisa ser tão grande.”

Diversificação

Parte da estratégia da SAP para crescer nesse ritmo está relacionada a mudanças feitas no portfólio. Tradicionalmente conhecida como desenvolvedora de softwares de ERP — sistemas que auxiliam na automação da gestão das empresas —, a companhia tem investido, nos últimos anos, na ampliação no número de produtos ofertados aos clientes, o que levou a empresa a caminhar para áreas como computação em nuvem e administração de banco de dados. Esse movimento, que começou há cerca de 5 anos, foi intensificado nos últimos 2 anos, com a aquisição de seis empresas. “O conselho da companhia tem a decisão de permanecer aberto a novas compras, mas no momento acredito que o foco maior seja trabalhar as soluções que já temos”, afirma Dzodan.

Atualmente, boa parte das vendas da SAP no país vem de áreas em que a companhia não atuava até pouco tempo, como mobilidade e computação em nuvem. “No último trimestre, 78% das receitas vieram de nossas soluções de ‘inovação’, que envolvem novos segmentos de negócio”, diz Dzodan. O maior destaque entre os novos setores foi o de banco de dados, que conseguiu um crescimento superior a 100%, boa parte devido às vendas de um produto batizado de SAP Hana, voltado para o processamento de grandes quantidades de dados em alta velocidade.

Trabalho com as pequenas

Atender às demandas das pequenas e médias empresas, que representam 70% de seus clientes, também está no foco dos executivos da SAP. “São milhares de empresas deste naipe em todo o país. Se comunicar com esse público é sempre um grande desafio”, afirma Dzodan.

Para facilitar a comunicação, a SAP teve de promover algumas mudanças em sua estrutura de distribuição. Hoje, muitos dos parceiros atuam em um sistema mais parecido com uma franquia do que a mera intermediação de negócios. “Ele adquire aquela tecnologia e depois vende”, diz o executivo. “Com isso, ganhamos muito mais capilaridade.”

No terceiro trimestre, a venda por meio desse canal de distribuição cresceu 54% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O sucesso incentiva Dzodan a planejar um aprofundamento do modelo. “Queremos parceiros cada vez mais especializados em setores, porque os clientes têm demandas cada vez mais específicas.”

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