Suntory busca fábricas no Brasil para formar parceria

Fabricante japonesa de bebidas que faturou US$ 23,2 bilhões em 2011 volta a se interessar pelo país: primeiro passo é exportação de produtos como licores e uísques

Brasil Econômico - Cintia Esteves |

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Os japoneses da Suntory estão voltando para o Brasil. Há três meses os executivos da companhia fecharam uma parceria com a importadora Tradbras para comercializar um licor de ameixa japonesa, o destilado shochu e o famoso uísque Suntory. Mas a fabricante está longe de assumir por aqui um papel coadjuvante. Alguns executivos da empresa visitaram recentemente fábricas de bebidas em São Paulo na busca por um parceiro para a fabricação de seus produtos.

“A ideia é começar com uma bebida oriental”, afirma uma pessoa próxima das negociações. O fabricante brasileiro deve fazer apenas a diluição e o engarrafamento do concentrado da bebida enviada do Japão. O grupo Suntory é um gigante com vendas de US$ 23,2 bilhões em 2011 resultantes de diversos segmentos de atuação. Na divisão de bebidas, além dos uísques e licores, a companhia produz vinhos, cervejas, refrigerantes, água mineral, entre outros.

O grupo também se aventura na produção de suplementos alimentares, cosméticos e flores, além de ser proprietário de academias e restaurantes. Aliás, foi com um restaurante que a empresa pisou pela primeira vez no Brasil. Até 2005, o grupo comandava o Suntory, estabelecimento especializado em culinária japonesa localizado no bairro Jardim Paulista, região nobre da cidade de São Paulo.

Inaugurado em 1975, o restaurante chegou a ter bastante destaque em um tempo em que existiam poucos estabelecimentos japoneses em São Paulo. Nesta época era o próprio grupo que fazia a importação dos produtos. Trinta anos depois, o Suntory foi vendido e deu lugar ao Shintori, também especializado na culinária japonesa. Após a negociação, o grupo Suntory deixou o país, interrompendo a exportação de seus produtos para os brasileiros.

O uísque Suntory é um dos produtos mais caros do grupo que a importadora Tradbras está comercializando. Uma garrafa da bebida custa cerca de R$ 300. Este uísque ganhou fama mundial em 2003, por causa do filme Encontros e Desencontros. Em uma determinada cena, o ator Bill Murray toma a bebida e diz “For relaxing times make it Suntory time” (algo como “Faça de momentos de descontração momentos de Suntory”).

O grupo também tem destaque na produção de cerveja, mas, pelo menos por enquanto, não tem a intenção de comercializá-la por aqui. “ Eles (os executivos da Suntory) dizem que o consumo da bebida no Japão é tão grande que não sobra para a exportação”, afirmou ao BRASIL ECONÔMICO William Ishiy, presidente da Tradbras.

O licor, o uísque e o destilado estão sendo vendidos em restaurantes japoneses e em supermercados como St Marchet e Casa Santa Luzia, estabelecimentos conhecidos por serem focados em público classe A. “Devemos começar a negociar com as grandes redes de supermercados no ano que vem”, diz Ishiy.

A Tradbraz é conhecida por deter a exclusividade de venda de bebidas japonesas premium como as cervejas Sapporo, o saquê Hakushika e o Yaegaki. Procurada, a Suntory não retornou as solicitações de entrevista.

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