De imóveis a bambu, JB Duarte testa limites da diversificação

Grupo já investiu em processamento de grãos, startups e agora aposta suas fichas em novos segmentos

Brasil Econômico - Juliana Ribeiro |

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Em 2014, o grupo JB Duarte completará 100 anos. Durante esse período, talvez nenhuma outra empresa tenha experimentado tantas oportunidades de negócios quanto a companhia comandada por Laodse de Abreu Duarte.

A JB Duarte nasceu fabricando produtos químicos para indústria têxtil e produtos veterinários. Nos anos trinta, se tornou processadora de soja e fabricante de óleos vegetais, inclusive da marca Maria. Nos anos 2000, mudou o foco e investiu em start ups, passando depois a ter ativos em indústrias de cosméticos e autopeças.

A vocação para diversificar os negócios segue no DNA da empresa. Desde que vendeu sua participação de 34% na Masaflex em 2008, o grupo realizou um detalhado levantamento de novas possibilidades de negócios e escolheu três áreas para atuar.

A primeira escolha foi o setor imobiliário — com a criação do grupo New Realty, cujo primeiro empreendimento é um condomínio com lotes de médio padrão em Cabreúva (SP). “Estamos de olho em novas áreas para investimentos em cidades altamente industrializadas e com grande demanda residencial”, explica Duarte.

Já o plantio de eucalipto e mais recentemente o cultivo de bambu vieram depois. Com investimentos totais de R$ 50 milhões, o projeto do bambu é a menina dos olhos da companhia, que prefere não divulgar estimativas sobre o negócio. Inicialmente, a JB mantém uma área piloto de 50 hectares com o plantio de sete variedades da planta, na fazenda em São Francisco Xavier,próximo de São José dos Campos,(SP), em uma área com 395 hectares. “O uso do bambu como uma alternativa mais sustentável à madeira já cresce na Ásia e Europa e tem grande potencial de mercado no Brasil”, explica Duarte.

Além da primeira propriedade, uma outra fazenda do grupo, onde hoje há eucalipto, deve ser preenchida com bambu e uma terceira, com 800 hectares, está sendo reservada para a ampliação do plantio nos próximos anos. “Estamos estudando se consorciaremos o plantio das duas plantas ou se investiremos apenas no bambu”, explica Guilherme Korte, responsável pelo projeto. A JB também quer se associar a pequenos agricultores da região.

Fábrica

Como parte da estratégia, a JB construirá uma fábrica, que deve ficar pronta em três anos. A ideia é comercializar ripas para a indústria automobilística — que usa a variedade para acabamento interno de veículos de luxo, construção civil, indústria têxtil e de papel. “Também queremos comercializar o broto do bambu, usado na indústria alimentícia”, explica Edison Cordaro, diretor de relações com investidores.

Segundo Korte, um dos fatores que garantem competitividade no mercado é o baixo custo de produção, já que o plantio das mudas é feito uma vez e o mesmo bosque pode produzir por até 100 anos. Enquanto o ciclo do eucalipto varia entre sete e dez anos, no bambu a planta está pronta para o corte entre dois e seis anos. A produtividade fica entre 30 e 50 toneladas por hectare/ano no eucalipto, volume que fica entre 40 e 60 toneladas pro hectare/ano no caso do bambu. “E no final, o produto tem maior durabilidade e maior valor agregado do que a madeira de lei”, diz Duarte. No ano passado, o resultado operacional da emrpesa foi negativo em R$ 7,11 milhões.

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