Indústria da laranja abre suas contas pela primeira vez

Estudo do Consecitrus revela o mapa da cadeia e aponta onde empresas e citricultores podem convergir

Brasil Econômico - Juliana Ribeiro |

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A equação queda na demanda versus aumento da produção já é velha conhecida da indústria brasileira de suco de laranja. Como parte dos esforços para fechar essa conta com saldo positivo, Cutrale, Citrovita e Louis Dreyfus, por meio da CitrusBR, divulgaram um levantamento detalhado sobre os custos da cadeia produtiva brasileira. “Talvez este seja um dos mais importantes dados que já divulgamos, porque é um raio-x da cadeia”, afirma Christian Lohbauer, presidente da CitrusBR.

O trabalho faz parte das primeiras ações do Consecitrus, entidade que foi criada em abril, com o propósito de reunir periodicamente, indústrias e produtores rurais para debaterem as principais questões da cadeia e chegarem a um bem comum. O estatuto da nova entidade está nas mãos do Cade, de onde a instituição aguarda parecer para começar a operar oficialmente.

Para traçar o perfil detalhado do setor, um sistema de compilação de informações foi desenvolvido pela MB Agro. “Os dados são dinâmicos, porque preços, volume e câmbio mudam a todo momento”, explica Alexandre Mendonça de Barros,diretor da consultoria e responsável pelo estudo.

No primeiro levantamento, com dados de julho, início da safra, verificou-se um preço médio de R$ 9,64 pago ao produtor pela caixa de laranja de 40,8 quilos. Para chegar nesse número, houve uma avaliação detalhada de todos os custos tanto na produção da fruta, quanto na parte que cabe à indústria. A planilha mostrou ainda que as despesas industrias chegaram a R$ 7,63 por caixa, enquanto as despesas agrícolas ficaram em R$ 8,63 por caixa. “Com o preço de R$ 9,64, o produtor, caso adotasse o modelo do Consecitrus, lucraria R$ 1,01 por caixa vendida”, explica Barros. Com o sistema detalhado, indústria e produtores, poderiam dividir de forma mais clara lucros e prejuízos.A ideia é que o sistema do Consecitrus se torne referência na hora de produtores e indústria negociarem os preços pagos, com já ocorre com a cotação de soja, café entre outros produtos.

O setor, conhecido por ser fechado e pouco dado a divulgação de dados, passou por uma grande mudança em sua estratégia de atuação, graças, em parte à crescente queda no consumo da bebida. “Se há cinco anos éramos a caixa preta do agronegócio, hoje, somos um dos mais transparentes”, diz Lohbauer.

Marcada por críticas e desentendimentos, a criação do Consecitrus, que tinha, além das indústrias, a participação da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus) e a Federação de Agricultura, acabou nas mãos das empresas. “Eles se afastaram das conversas, mas estamos abertos para o diálogo, que é fundamental para crescermos com força”, diz João Sampaio, ex-secretário de agricultura do estado de São Paulo e diretor-executivo do Consecitrus.

Dados da CitrusBR apontam que a indústria brasileira é responsável por 85% da produção mundial de suco de laranja. Anualmente, a cadeia citrícola no estado de São Paulo gera PIB equivalente de U$ 6,5 bilhões.Apesar da pujança, nos últimos anos, a queda na demanda e o aumento da produção têm tirado o sono da indústria. Os estoques de suco de brasileiro no mundo, em 30 de junho de 2011 eram da ordem de 214 mil toneladas. Na mesma data deste ano, o volume já estavam em 662,4 mil toneladas.

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