Refrigerador da Panasonic produzido no Brasil aprende hábitos do consumidor

Primeiro a ser produzido no Brasil, o modelo promete redução de até 30% no consumo de energia e adaptações feitas ao País, como compartimentos para pizza e garrafas de 2,5 litros

Mayara Teixeira , iG São Paulo |

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"O novo produto destoa muito do que a Panasonic já fazia no mercado brasileiro”, diz Marcos Hiller

O primeiro refrigerador a ser totalmente produzido no Brasil pela Panasonic não é barato. A empresa decidiu atuar no mercado brasileiro apostando em produtos de maior valor agregado e o preço sugerido é de no mínimo R$ 2.899 para as peças com acabamento branco. Se o cliente preferir aço inox, o valor sobe para R$ 3.099. O que justifica os valores próximos dos de produtos importados? Segundo os empresários do grupo, as tecnologias “econavi” e “inverter” são inovações que valem o preço.

O sensor inteligente "econavi" monitora a atividade da porta, as temperaturas internas e externas e as condições luminosas do ambiente. Já o compressor "inverter" muda sua velocidade de rotação e otimiza o funcionamento do aparelho, diminuindo o gasto de energia quando necessário. Em resumo, a geladeira aprende em que momento do dia o dono dorme e como a utiliza quando está acordado e se ajusta automaticamente a esses hábitos.

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No fim das contas, a Panasonic diz que o aparelho funciona com apenas 40Kwh por mês, consumo 30% menor que o de um refrigerador comum da mesma capacidade. “Nas três primeiras semanas, o produto está aprendendo os hábitos de consumo do comprador e a cada cinco semanas, ele inicia esse processo de novo”, diz João Carlos Daniel, diretor operacional da nova fábrica da Panasonic em Extrema (MG) que desde 5 de setembro, já está produzindo o NR-BB51P.

A companhia está claramente tentando estender sua marca no Brasil, pois até pouco tempo fabricava por aqui apenas televisores, máquinas fotográficas, micro-ondas e outros eletrônicos de menor porte. “Será que vai dar certo? A Panasonic é conhecida por comercializar videocassetes, televisores, e o novo produto destoa muito do que ela já fazia no mercado”, diz Marcos Hiller, coordenador do MBA de marketing, consumo e mídia online da Trevisan Escola de Negócios. “Não vejo uma geladeira bem-sucedida em vendas”.

Além disso, para promover o novo produto, a Panasonic escolheu a modelo Fernanda Lima, o que para Hiller demonstra uma falta de consistência na construção da marca. “Apesar de ser um produto altamente tecnológico, o sucesso no varejo não está garantido”, diz. “Eles simplesmente escolheram uma moça em alta, não acredito que seja um alinhamento bem feito, precisam de uma estratégia de marketing mais agressiva”.

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Compartimentos especiais e sua localização foram sugestões de consumidores brasileiros

De olho no brasileiro

O modelo é não só o primeiro da companhia a ser completamente produzido no Brasil, mas também o primeiro a ser projetado com base nos consumidores brasileiros. “Todas as modificações como os compartimentos especiais e sua localização foram sugestões de nossos consumidores daqui”, diz Sergei Epof, diretor de produtos de linha branca. 

Espaço para garrafas de 2,5 litros, compartimento para caixas de pizza e local com refrigeração extra para carnes e latas são algumas das sugestões brasileiras que constam no produto final. Além disso, o refrigerador que tem capacidade para 423 litros também apresenta o freezer na parte de baixo, diferente da maioria dos modelos de geladeira em que ele fica na parte superior. “A porta do freezer só é aberta em 30% das vezes que usamos o refrigerador, ela não precisa ser a mais acessível”, diz Epof. 

O modelo também promete ser 19% mais silencioso do que seus concorrentes, além de trazer sistema de biodesorizador que elimina bactérias e mau cheiro. Por enquanto, são produzidas apenas 80 unidades por dia na fábrica de Extrema. Em março, o número subirá para 350 e em 2013, a companhia espera alcançar uma média de 500 mil peças ao ano. “Em três anos, esperamos um aumento de 590% em nossas vendas impulsionado por esse novo produto”, diz Hirotaka Murakami, presidente na Panasonic no Brasil.

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