Estatais seguram investimentos e só gastam 46% do previsto para 2012

Levantamento do iG mostra que empresas controladas pelo governo federal aplicam R$ 49,3 bilhões do orçamento de R$ 107 bilhões para o ano

Nivaldo Souza - iG Brasília |

Na contramão do discurso do governo federal, que promete colocar as estatais como locomotivas para puxar o crescimento econômico, as empresas controladas pela União estão com o freio de mão dos investimentos puxado. Do orçamento de R$ 107 bilhões autorizado para 2012, as estatais executaram R$ 49,3 bilhões – conforme levantamento do iG no Siga Brasil, mecanismo de consulta das contas públicas do Senado Federal, com dados do primeiro e do segundo trimestre deste ano.

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Infraero negocia mais R$ 600 milhões no orçamento de 2013

Com lugar de destaque no orçamento de R$ 110 bilhões para estatais em 2013, com as Companhias de Docas que operam portos no País terão R$ 1,4 bilhão para melhorias no sistema portuário no próximo ano. Em 2012, porém, da verba autorizada de R$ 1,1 bilhão apenas R$ 129,5 milhões foram utilizados – pouco mais de 10% do total.

O atraso afeta uma das áreas apontada como prioritária pela Embratur para a Copa de 2014: os terminais de passageiros para desembarque de turistas que visitam a costa brasileira em cruzeiros. Dos R$ 136 milhões previstos para reformas nos terminais do porto de Fortaleza, Natal e Salvador, as Companhias de Docas utilizaram R$ 22,84 milhões.

Elétricas

As empresas do setor elétrico, controladas via Eletrobras, apresentam a segunda menor relação entre recursos disponíveis e investimentos concluídos. As elétricas usaram apenas R$ 2,5 bilhões dos R$ 10,2 bilhões destinados no orçamento. O montante executado corresponde a 24,5% do total, segundo a atualização do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIPO), do Ministério do Planejamento, incluída no Siga Brasil.

Furnas utilizou R$ 416,6 bilhões da reserva de R$ 1,5 bilhão para aporte em implantação de linhas de transmissão e melhorias em usinas hidrelétricas. Foram 27,8% da verba autorizada. A estatal aplicou somente R$ 64,8 milhões para manutenção do sistema de transmissão de energia das regiões Centro-Oeste e Sudeste, cuja previsão orçamentária destina R$ 432,5 milhões.

Orçamento 2013 soma R$2,140 trilhões

Na área de telecomunicações, a Telebras está distante da meta de investimento. A empresa executou R$ 53,6 milhões do total de R$ 400 milhões programados – a maior parte (R$ 52,1 milhões) na implantação da rede nacional de banda larga, que deverá receber R$ 98,6 milhões até o final deste ano.

Braço do SUS

A área de saúde também enfrenta lentidão nos investimentos para além do ritmo desacelerado nos gastos pelo Ministério do Saúde. A Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobras) utilizou R$ 32,4 milhões dos R$ 263,8 milhões que lhe foram destinado no início do ano.

A quase totalidade do aporte realizado (R$ 32,17 milhões) foi para a construção de fábrica no Pernambuco, que está orçada em R$ 258 milhões.

Cadeia do petróleo

A Petrobras, dona da maior fatia do orçamento das estatais (R$ 75,8 bilhões), executou R$ 37 bilhões – resultado que rende a petrolífera uma execução de 48,8%. No balanço financeiro do segundo trimestre, divulgado em agosto, a execução foi um pouco maior: R$ 38,7 bilhões.

A queda na entrada de divisas no caixa da petrolífera, que registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão no segundo intervalo financeiro do ano, pode explicar o ritmo lento dos investimentos, uma vez que os ganhos reduzidos poderiam estar fazendo a estatal segurar investimentos para melhorar o desempenho financeiro.

O setor químico e petroquímico controlado pela União executou R$ 5,7 bilhões de um total de R$ 9 bilhões previstos para o ano – concentrado basicamente nos implantação da Refinaria Abreu e Lima, que investiu R$ 5,3 bilhões dos R$ 8,55 bilhões projetados para 2012.

Outras empresas do segmento, como a Comperj Estirenicos S/A e Comperj Poliolefinas S/A, não desembolsaram nenhum real do provisionamento para o ano.

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