Feira de aviação apresenta dez dos mais caros jatinhos vendidos no Brasil
Para ter um avião executivo para chamar de seu são necessários US$ 4 milhões enquanto para tomar uma ducha quente a 11 mil metros de altitude são precisos US$ 58 milhões
Quem for à Labace, maior feira de aviação executiva da América Latina, vai notar a disputa acirrada entre os fabricantes de jatos executivos pelo mercado brasileiro. Nos últimos quatro anos, o Brasil foi o segundo país que mais comprou aeronaves da categoria, atrás apenas dos EUA. Nesse ano, os organizadores da feira esperam uma movimentação de até US$ 700 milhões em negócio.
Conheça abaixo o avião mais caro e o mais barato exibidos na feira:
Depois de subir a estreita escada, até aí comum em qualquer tipo de aeronave, os preços exorbitantes começam a se explicar. Poltronas espaçosas revestidas de couro estão dispostas sobre um delicado carpete claro, que contrasta com os detalhes amadeirados das paredes. Se o cliente quiser, há espaço para uma cama ou então mesas que podem apoiar notebooks e receber jantares de primeira classe. A maioria dos jatos executivos se enquadra nessa descrição, daí em diante, artigos de luxo passam a diferenciar os preços.
Itens como televisores, DVDs e localizadores geográficos não faltam em nenhum dos modelos. Mas, há quem deseje tomar um banho quente enquanto o piloto desvia de uma nuvem e outra, ou então tirar uma soneca em uma cama king size enquanto não chega para próxima reunião em Miami. Tudo isso é possível por alguns milhões de dólares. Na Labace, alguns dos luxuosos jatinhos executivos estão expostos e a venda para quem estiver disposto a desembolsar no mínimo US$ 4 milhões.
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“Nos EUA, o jato é considerado uma ferramenta de trabalho e essa mentalidade está surgindo no Brasil”, diz Marco Túlio Pellegrini, vice-presidente de operações da Embraer. O presidente da Dassault Falcon, Jean Rosanvallon, é mais categórico: “sem avião, sem lucro”. “Todos os grandes empresários possuem jatos executivos, a família Diniz, por exemplo, possui um Dassault”, diz.
Quem for à feira vai notar que os fabricantes estão otimistas com a participação brasileira no mercado. Para estimular as vendas por aqui, as companhias estão apostando em centros de serviço locais que oferecem manutenção para as aeronaves. “Nossa estratégia é construir uma base sólida, por isso queremos estar mais próximos dos clientes e participar de mais etapas além da compra”, diz Rosanvallon da Dassault Falcon. Nos próximos três anos, a marca francesa vai expandir seu centro de serviço em Sorocaba (SP), um investimento que pode chegar a US$ 10 milhões.
Já a TAM, líder no mercado brasileiro com 45% da frota, vai investir R$54 milhões no país. “Até o fim de 2013, pretendemos ampliar nosso serviço de manutenção em Jundiaí (SP) e inaugurar um novo em Aracati (CE)”, diz Leonardo Fiuza, diretor comercial da companhia. A canadense Bombardier chegou a investir US$ 12 milhões em um centro de serviço em São José dos Campos (SP). O investimento foi feito por meio da Syneret Brasil, a representante da Bombardier. O local começou a funcionar há dois meses.
De olho nos emergentes
Os fabricantes brasileiros e estrangeiros querem aproveitar o desenvolvimento da economia brasileira e dos países emergentes para compensar os efeitos da crise de 2008, da qual o segmento ainda não se recuperou totalmente. “Acredito que em 2014 o mercado realmente vá se recuperar”, diz Fiuza da TAM. Segundo Pellegrini, da Embraer, em dez anos, a expectativa é que o setor movimente no mínimo US$ 206 bilhões. “No cenário mais positivo, serão US$ 260 bilhões em jatos executivos”, diz.
Em países como Brasil, China e Índia, a demanda está mais forte. “Em 2011, pela primeira vez os EUA não foram nossos maiores compradores e vendemos mais para a China”, diz Rosanvallon da Dassault. “No ano passado, os países do BRIC foram responsáveis por 60% das nossas vendas”, diz. Apesar desse aumento, a demanda ainda não foi suficiente para impulsionar os números desse ano. “Não projetamos crescimento, vendemos US$230 milhões no ano passado, e para 2012 nossa meta é manter o mesmo valor”, diz Fiuza da TAM.