Controladora do JBS deve anunciar compra da construtora Delta
Ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que preside o conselho da J&F, holding da JBS, é um dos responsáveis pela negociação
A J&F Participações, que controla o frigorífico JBS, deve anunciar nesta quarta-feira que está assumindo a gestão dos fundos que controlam 100% da Delta Construções. O acordo para a venda da Delta à J&F não envolveria dinheiro num primeiro momento.
Essa negociação pode ser o primeiro passo para a aquisição definitiva da companhia, que só deve ocorrer em um prazo entre 30 e 60 dias, depois da avaliação dos ativos.
Em março deste ano, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles passou a ser o presidente do conselho da J&F e tem sido um dos principais negociadores da operação de compra da construtora.
Pelas negociações que estavam em curso até ontem à noite, o empresário Fernando Cavendish, principal acionista da Delta, entregaria sua participação, de cerca de 80% na construtora, sem receber nada agora. Se a operação der lucro nas mãos da J&F, Cavendish receberá dividendos em alguns anos. Se der prejuízo, não vai receber nada. Essas são as bases da negociação, mas Joesley Batista, da J&F, e Cavendish ainda precisam acertar vários pontos.
Não está combinado, por exemplo, daqui a quanto tempo seria feito o acerto de contas. Acionistas minoritários da construtora, como a Galvão Engenharia, que têm uma participação de 2%, continuariam na empresa.
As informações são de profissionais que participam da operação. Delta e J&F não quiseram se manifestar oficialmente.
Pelo desenho negociado ontem, se der tudo certo, Cavendish seria pago de acordo com os resultados dos cerca de 300 contratos que a Delta tem em carteira. As empresas calculam que essa carteira deveria render algo em torno de R$ 4 bilhões ao longo dos próximos quatro anos. Se ficar mesmo com a construtora, a J&F vai trocar a diretoria.
Principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e com contratos em 21 Estados e no Distrito Federal, a Delta tem obras importantes para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016.
A empresa faturou cerca de R$ 2,7 bilhões no ano passado, segundo balanço que está para ser divulgado nos próximos dias. O resultado é um pouco inferior aos R$ 3,1 bilhões de 2010. O balanço deve mostrar também uma reserva técnica de aproximadamente R$ 250 milhões para contingências.
A J&F, da família Batista, por sua vez, vive um processo de expansão que começou com a transformação do JBS no maior frigorífico do mundo, com forte apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que é sócio da empresa. A holding controla também empresas nas áreas de higiene e limpeza, está investindo em papel e celulose e é proprietária do Banco Original.
No BNDES, a operação é vista com reservas pela equipe técnica, mas o acompanhamento é feito de longe, sem nenhuma interferência. O banco ainda carrega os efeitos nocivos da intenção frustrada de ajuda ao empresário Abílio Diniz no caso Pão de Açúcar versus Casino.
(Com Agestado e agências de notícias)