Depois de fisgar a classe C, as empresas se dedicam a redesenhar linhas de produtos e até fazem aquisições de companhias concorrentes para se aproximar da classe D

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Depois de fisgar a classe C, as empresas se dedicam a redesenhar linhas de produtos e até fazem aquisições de companhias concorrentes para se aproximar da classe D. O objetivo é conquistar essa população com renda mensal familiar entre um e três salários mínimos, antes uma ilustre desconhecida do mercado de consumo. No mês passado, o Magazine Luiza, rede varejista de móveis e eletrodomésticos de Franca (SP), comprou as Lojas Maia, com 141 unidades espalhadas pelos nove Estados do Nordeste. O negócio, além de ser uma reação ao movimento de consolidação do setor detonado pela união do Pão de Açúcar com as Casas Bahia, tem como meta incorporar novos consumidores da classes de menor renda. O negócio trouxe para o Magazine 3,8 milhões de consumidores, antigos clientes das Lojas Maia, a maioria das classes C e D. "Queremos ter, cada vez mais, um número maior de clientes da classe D", confirma o superintendente da empresa, Marcelo Silva. Pesquisas mostram que a maior parte dessa população está concentrada no Nordeste. Para Silva, a classe D é transitória. Isto é, se o crescimento do emprego e da renda na economia forem mantidos nos próximos anos, rapidamente a população da classe D vai migrar para a classe C e assim por diante. Por isso, o mix de produtos oferecidos nas lojas da rede recém adquirida não será muito diferente do Magazine Luiza. "A classe D também quer ter TV de LCD." Enquanto esse consumidor não tem renda suficiente para comprar TV de LCD, ele leva para casa a TV de tubo. Por isso que a Semp Toshiba manteve a fabricação desse produto, embora vários concorrentes tenham tirado de linha. "O Brasil com S compra TV de tubo", diz o vice-presidente de Marketing e vendas da companhia, Caio Ortiz. Ele observa que, ao circular nas lojas das grandes capitais parece que o produto está fora do mercado. Mas, não é essa a realidade das cidades menores, onde predomina a população de classe D. No ano passado foram vendidos 5,5 milhões de TVs de tubo e a perspectiva para este ano é produzir entre 4,5 e 5 milhões. "Não vamos parar de fabricar TV de tubo tão cedo", afirma Ortiz. Já a Positivo Informática adaptou o computador, o grande sonho de consumo da classe D, para esse estrato da população. César Aymore, diretor de Marketing da empresa, informa que foram criados dois modelos: o PC Fácil, computador com uma linguagem autoexplicativa, e o PC da Família, desenhado para ser usado por várias pessoas.

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