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Mais de 10 mil trabalhadores de 16 empresas do distrito industrial de Manaus tiveram suas férias coletivas adiantadas para outubro em reflexo à crise mundial, que já freia produções e coloca o mercado de trabalho tenso na expectativa de possíveis demissões. Só o grupo Moto Honda, uma das maiores empresas do pólo industrial de Manaus, é responsável por ter adiantado as férias coletivas de 5 mil trabalhadores, da Moto Honda, Honda Lock e Honda Componentes.

"Essas férias são além das coletivas de fim de ano, que começam próximo ao Natal", explica o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, João Brandão.

Segundo Brandão, as empresas que já teriam anunciado ou começado as férias coletivas de 15 a 20 dias são: Moto Honda, Honda Lock, Honda Componentes, Yamaha, Elgin, Adenso, Federal Mogul, Keyhim, MCB, Mitsuba, Moustashi, Nippon, Nissin, Scorpions, Shwa e Sodesia.

A Yamaha concedeu férias coletivas a 55% dos funcionários, ou cerca de 700 trabalhadores do pólo industrial de Manaus. Em nota, o diretor de relações institucionais da empresa , Jaime Matsui, informa que o recesso é "breve e parcial", de 20 dias, por conta da "crise de confiança que tomou o sistema financeiro em âmbito mundial, cujos reflexos já são notados em nosso mercado de atuação.

O secretário do sindicato disse que ontem (16), em uma reunião com empresários, foi feita uma sugestão de, conforme a resposta dos mercados à crise internacional, esticar uma suspensão dos contratos de trabalho por três meses. Essa suspensão, segundo Brandão, não oneraria a empresa em caso de demissões - com o pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), por exemplo.

"A empresa pagaria os salários, mas economizaria em transporte e alimentação, em contrapartida o funcionário faria um curso de reciclagem nesse período", sugeriu. De acordo com o sindicato, 13 mil trabalhadores foram demitidos das empresas da Zona Franca de Manaus no ano passado, e até setembro deste ano, 12 mil.