A busca por um combustível de avião que não agrida o meio ambiente teve um grande avanço esta semana, com o primeiro voo de um avião movido a um biocombustível de segunda geração, derivado de plantas que não competem com as lavouras para alimentação. Um jumbo da Air New Zealand decolou de Auckland, na Nova Zelândia, na terça-feira, com uma mistura de 50% combustível de aviação, 50% óleo de pinhão manso (também chamado de jatrofa) em um de seus quatro motores.

O teste, que durou duas horas, mostrou que o óleo de pinhão manso pode ser usado nas aeronaves sem nenhuma modificação nos motores. O teste fez parte do plano da companhia aérea neozelandesa de utilizar 10% de fontes sustentáveis até 2013.

"Foi um dia emocionante", disse o piloto da Air New Zealand, David Morgan. "Este foi um importante passo para a indústria da aviação."
A companhia aérea americana Continental também anunciou esta semana que tinha planos de testar biocombustíveis de segunda geração. Na próxima semana, a empresa sobrevoará o Golfo do México com um avião abastecido com um combustível de algas.

As viagens aéreas são responsáveis por 3% das emissões mundiais de dióxido de carbono, porém a busca por um substituto para o querosene tem sido problemática. Biocombustíveis de primeira geração, como o etanol de cana, não podem ser utilizados porque congelam em grandes altitudes.

O combustível utilizado pela Air New Zealand foi feito com sementes de pinhão manso, formadas por 40% de óleo e naturais da Índia, Moçambique, Malawi e Tanzânia. Testes prévios mostraram que ele poderia ser utilizado em aviões por congelar a -47°C e queimar a 38°C.

Já o teste da Continental usará uma mistura de biocombustível de pinhão manso e de algas, fornecido pela empresa americana Sapphire Energy. No teste, um dos motores de um Boeing 737-800 será preenchido com uma mistura meio a meio de combustível tradicional e o biocombustível. "Escolhemos pinhão manso e algas porque nenhum deles é utilizado como alimento e podem ser cultivados até em regiões áridas", disse Leah Rayne, diretora de assuntos globais da Continental.

Os aviões da Air New Zealand e da Continental Airlines não são os primeiros a utilizar biocombustíveis. Em fevereiro, a Virgin Atlantic utilizou, com sucesso, uma mistura com 80% de combustível de aviação e 20% de óleo de coco e palma de babaçu no motor de um Boeing 747 em um voo entre Londres e Amsterdã.

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