O mercado de capitais brasileiro movimentou R$ 49,2 bilhões no primeiro semestre, alta de 54,6% em comparação ao mesmo período de 2009. Desse total, R$ 14,4 bilhões foram de ofertas primárias e secundárias de ações, aumento de 26,9%. Nas operações de renda fixa, o destaque foi o aumento de 129% nas emissões de debêntures, que somaram R$ 20,5 bilhões, segundo dados divulgados hoje pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Na renda variável, dos R$ 14,4 bilhões captados pelas empresas, 54,5% foram por meio de aberturas de capital (IPO, na sigla em inglês). Foram feitos sete IPOs (de empresas como Julio Simões e Multiplan) e seis ofertas subsequentes (como Even e PDG Realty). Esse número poderia seria ainda maior se incluísse a oferta de ações do Banco do Brasil, que ocorreu durante o primeiro semestre, mas foi registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no dia 1º de julho, por isso não entrou nos dados contabilizados pela Anbima. A operação movimentou R$ 9,8 bilhões.
As ofertas de ações de valores mais altos dominaram o primeiro semestre. As operações acima de R$ 1 bilhão responderam por 76,6% do volume total captado e por 53,8% do número de ofertas no período, segundo a Anbima.
No mercado de renda fixa, o volume de R$ 34,8 bilhões captado, representou crescimento de 70%. Segundo o levantamento da Anbima, além das debêntures, outro destaque foram nas ofertas de Fundo de Investimento em Direito Creditório (FIDC), que subiram 47%, totalizando R$ 4,6 bilhões.
Já as ofertas distribuídas com esforços restritos, reguladas pela Instrução 476, que trata das ofertas apenas para um pequeno grupo de investidores qualificados, alcançaram R$ 19,3 bilhões no primeiro semestre. Nesta modalidade, os principais instrumentos utilizados foram as debêntures, com R$ 10,3 bilhões, seguidas das notas promissórias, com R$ 7,6 bilhões.
Construção civil
O setor de construção civil foi o destaque do primeiro semestre, segundo a Anbima. No período, ocorreu a retomada das ofertas de ações do segmento, que somaram R$ 5,2 bilhões e tiveram participação de 36,4% sobre o total das ofertas. A participação do setor supera as registradas em 2006 e 2007, que responderam por 18,8% e 26,7% das operações, respectivamente.
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