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Empresários promovem projetos baseados na paz no O.Médio

Daniela Brik. Jerusalém, 4 nov (EFE).- À espera de uma solução política para o conflito que enfrentam seus povos, empresários israelenses e palestinos se movimentam para promover projetos comerciais com a paz como denominação de origem.

EFE |

Empresas dedicadas ao desenvolvimento de tecnologias de ponta ou à produção de azeite de oliva de alta qualidade e outros cultivos, aglutinaram recentemente empreendedores e jovens talentos israelenses e palestinos para um mesmo fim.

O empresário israelense Oded Salmon teve claro este intuito quando começou, junto a seu colega palestino Fares Jabi, em 2005, o projeto "Olives of Peace" (Oliveiras da Paz).

Após uma conferência à qual assistiram mais de 70 granjeiros israelenses e palestinos a iniciativa começou a rodar.

Com o apoio financeiro do Japão e muito esforço, agricultores de Israel e Cisjordânia comprometeram-se a produzir um azeite de oliva muito puro, que hoje é vendido nas capitais européias.

"Há muita gente interessada no negócio de promover a paz", reconhece Salmon ao explicar o valor agregado de seu produto, cujo lucro se reparte em 50% entre as partes.

"Se ao comerciante se dá um adicional, algo que diferencie teu produto, como fomentar laços entre israelenses e palestinos, muitos acabam comprando. Com o mercado 'ético' nos é suficiente", ressalta.

A empresa palestina "Canaan Fair Trade" também coopera com israelenses. Nasceu em Jenin em 2004 e integra cooperativas agrícolas de 1.700 granjeiros e 3.400 hectares de cultivos orgânicos de oliva, o maior de comércio "justo" nesta região.

Exporta a 15 países europeus e aos EUA, e trabalha com distribuidores israelenses.

"A idéia da cooperação é um bom negócio, trabalhamos com um comprador moralmente consciente e implicado na coexistência", diz seu criador, Nasser Abu Farha, ao assinalar que as cooperativas são representadas pela Associação de Comércio Justo da Palestina.

Outro setor cada vez mais em voga entre os jovens graduados palestinos é o da informática e alta tecnologia, talvez seguindo o modelo de seus vizinhos israelenses que nos anos 90 levantaram uma das indústrias mais pujantes da região.

O exemplo que está causando furor entre os conhecedores é o da G.ho.st, uma empresa "StartUp" selecionada pelo "Wall Street Journal" como criadora de uma das melhores cinco novas tecnologias de consumo.

Este projeto -ainda em desenvolvimento- permitirá ao usuário de internet acessar, de qualquer lugar do mundo, o gabinete de seu computador pessoal.

Seu fundador, o israelense Zvi Schreiber, ressalta que a maioria dos 30 membros da equipe que desenvolve a idéia são palestinos recém graduados e residentes em Ramala.

Trata-se da única equipe conjunto palestino-israelense que, graças à tecnologia, supera as barreiras físicas por meio da videoconferência: "Nós não dependemos das permissões do Exército israelense, mas da tecnologia", declara seu criador.

Jonathan Levy, diretor da empresa tecnológica Nuvoton, que produz circuitos integrados de silício para computadores, também recorreu a universitários informáticos palestinos.

Começou com mais de 20 -em período probatório- e hoje, após oito meses de capacitação, seis engenheiros da Cisjordânia desenham tecnologia de software para a filial em Israel.

"Nos demos conta que a opção de contratar palestinos era a melhor pelas possibilidades de trabalhar em longo prazo", afirma.

E aponta como vantagens: "Nos entendemos, sabemos o que queremos dizer quando manifestamos algo difícil que pode ser a linguagem das barreiras".

Coincide com ele Murad Tahboub, da companhia palestina de software Asal Technologies, para quem estes projetos "são uma decisão econômica viável" porque israelenses e palestinos compartilham uma cultura parecida, empregam a mesma moeda e fuso horário.

"Quando há negócio sempre há um mecanismo para romper as barreiras", diz, antes de lembrar que nas últimas décadas 80% do comércio dos palestinos foi com Israel, independentemente da situação política. EFE db/jp

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