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Empresários pedem suspensão de aumento de servidores para Lula

O diagnóstico que os empresários apresentaram ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirma as preocupações do governo com a deterioração da atividade econômica. Muitas empresas, como Odebrecht e CSN, informaram a Lula e a seus ministros que estão concedendo maior prazo de pagamento a seus clientes, uma forma de financiar a venda da produção, e pediram ao governo o adiamento, por um ano, no pagamento de impostos como IPI, PIS-Cofins e ICMS.

Agência Estado |

Além da previsão de um fim de ano ruim e com muita incerteza, os empresários criticaram as altas taxas de juros e o aumento dos gastos do governo.

"O governo deu reajustes futuros para o funcionalismo. Eu suspenderia. Faria uma lei suspendendo os reajustes. Não é justo que, enquanto a iniciativa privada demite, os servidores públicos tenham aumento de salário", disse Jorge Gerdau, presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau.

As grandes companhias explicaram ao presidente que, como já tinham contratado financiamentos de longo prazo, não estão com dificuldades financeiras imediatas. Já os clientes estão sem crédito e suspendendo encomendas.

O presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, disse que tem em estoque 900 toneladas de aço. Segundo ele, a situação da CSN é boa: tem dinheiro em caixa e nenhuma parcela de dívida a vencer em 2009. Os empresários disseram que está difícil traçar um cenário para 2009.

Lula abriu a reunião dizendo que adotaria um procedimento diferente e sugeriu que cada empresário falasse "aberta e francamente" por 15 minutos. Ele iniciou seu discurso reconhecendo que essa é a mais grave crise mundial desde 1929. "Ninguém aqui viveu essa época, mas todos nós sabemos o que foi a crise de 29." E pediu que os empresários falassem sobre as "dificuldades reais" e não se deixassem tomar pelo medo provocado pelas incertezas do cenário internacional e os impactos na economia brasileira.

"Nos últimos dias, virei propagandista do consumo. Sempre tive uma visão anticonsumo, mas para evitar o contágio pelo efeito psicológico é importante manter a normalidade e não ir atrás do pânico. Mas como estou querendo ouvir, sugiro que alguém comece." Ninguém se manifestou. Ele escolheu, então, o setor automobilístico para iniciar a exposição. A seguir, o diagnóstico dos empresários, segundo o relato de um dos participantes:

ANFAVEA

O presidente da associação das montadoras, Jackson Schneider, disse que o crédito voltou para veículos novos, mas a um custo mais elevado e com menor prazo. Para os automóveis usados, o crédito está totalmente parado. O crédito do Banco do Brasil foi liberado parcialmente. O crédito anunciado pela Nossa Caixa é zero até agora. O empresário informou que as formas de empréstimo da Nossa Caixa são "totalmente diferentes" do que foi anunciado, além de ser mais caro e com regras complicadas para liberação. O consumidor, disse, está mais cauteloso, inclusive os compradores de ônibus e caminhões. As exportações caíram. O setor estava a 200 km por hora e teve de frear bruscamente.

FIAT

O presidente da Fiat, Cledorvino Belini, disse que as vendas de tratores despencaram e demonstrou preocupação com iniciativas do Congresso que podem elevar os custos, como o projeto que torna obrigatória a existência de rastreador em todos os veículos. Segundo ele, isso vai elevar os custos, por veículo, de R$ 600 a R$ 800.

ODEBRECHT

Emílio Odebrecht disse que o crédito internacional sumiu. Como as empresas não têm crédito internacional, a concorrência no Brasil é maior. Criticou o tratamento da mídia para a crise. Sugeriu ao presidente que é preciso melhorar a comunicação. "Está faltando crédito ao consumidor, que está sendo bombardeado pelo noticiário desalentador dia e noite." Ele defendeu fórmulas criativas para fortalecer o crédito, embora a empresa tenha ampliado o prazo de pagamento dos clientes. Ele contabiliza R$ 2 bilhões de vendas a prazo.

Ele defendeu prioridade a novos investimentos. O governo poderia reavaliar as ações do PAC para incluir projetos mais importantes e "centrar fogo". Partiu dele a sugestão de adiamento do pagamento dos impostos, mesmo temporário. "O governo tem que ajudar. Assim como estamos adiando o faturamento, o governo também poderia adiar os impostos."

CSN

O presidente da empresa, Benjamin Steinbruch, disse que a CSN está financiando os clientes por meio da ampliação dos prazos de pagamento. A CSN aumentou em 30 dias o prazo de pagamento. "Estamos fazendo papel de banco porque estamos dando prazo às empresas."

GERDAU

Jorge Gerdau também defendeu a suspensão por 12 meses de impostos como o IPI, PIS-Cofins e ICMS. As empresas, segundo ele, vão cortar custos e diminuir gastos. Ele defendeu a suspensão dos reajustes futuros do funcionalismo público.

SADIA

O empresário Luiz Fernando Furlan criticou o aumento do spread bancário. Segundo ele, antes do agravamento da crise estava fechando contratos de antecipação de crédito (ACC) corrigidos pela libor mais 0,5%. Depois, o custo passou a ser a libor mais 5%. A oferta de crédito caiu para 25% do que era. A demanda externa caiu, mas a demanda interna "continua muito boa". A empresa está mantendo os investimentos.

WAL-MART

O presidente da rede, Hector Nunes, disse que até o momento não sentiu efeito de crise. "Estamos vendendo forte. O Natal vai ser bom." Ele citou "discussões ruins" que devem afetar as atividades do comércio, como a redução da jornada e a proibição de abertura do comércio aos domingos. "São medidas que vão aumentar os custos das empresas."

BANCOS

Os dirigentes da Febraban, Fábio Barbosa, do Itaú-Unibanco, Roberto Setubal, e do Bradesco, Marcio Cypriano, defenderam a mesma tese: o crédito nacional está voltando, mas o internacional sumiu. Os próprios bancos estão com dificuldades de captar. Os bancos médios estão sem crédito.

BANCO CENTRAL

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, concordou que o problema é o crédito internacional. A oferta de crédito no mercado interno, segundo ele, está melhorando. Sobre a Selic, disse que o BC não tem problema de baixá-la se essa for a medida recomendada para a economia. "Se o BC estiver convencido da necessidade de reduzir, se for necessário, terá prazer de reduzir a Selic." Meirelles comentou ainda o spread cobrado pelos bancos. "A Selic não mudou. O que mudou foi o spread."

FAZENDA

Guido Mantega disse que o governo adotará medidas com rapidez. "Confiem e cobrem." Ele pediu aos empresários que adiem a redução dos investimentos. "Nós vamos agir", disse ao ser receptivo à proposta de adiamento dos impostos. "Sabemos que é melhor adiar impostos. Se, depois, cair a atividade econômica, a receita vai cair."

LULA

Lula disse que essa foi a melhor reunião que teve com os empresários. "Quis ouvir vocês porque sei que teremos graves problemas no ano que vem. Logo no início do ano teremos uma paradeira na economia e possibilidade de demissão. Por isso já disse ao Guido para tomar medidas necessárias este ano. Temos que trabalhar com rapidez antes do Natal e, se precisar, até no ano-novo. Guido e Meirelles sabem da urgência da situação", disse.

Lula defendeu a redução dos impostos sobre investimentos. "Acho que a gente deveria zerar os impostos sobre investimentos mesmo que seja temporário. Em época de crise não vamos agir como se as coisas estivessem normais. Farei o possível e tentarei fazer o impossível para que a crise tenha os menores efeitos", disse ainda o presidente. Ele disse que irá conversar com as centrais sindicais sobre as questões trabalhistas. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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