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Empresários pedem mais crédito e juros menores em reunião com governo

BRASÍLIA - A falta de crédito e o descompasso da política monetária do Banco Central (BC) em relação à crise foram as queixas centrais colocadas na mesa do governo hoje por empresários. Mas as autoridades apenas ouviram as demandas do Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC), sem adiantar qualquer medida.

Valor Online |

"Vamos reagir e fazer o que for possível", disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ao deixar a reunião no Ministério da Fazenda.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, resumiu a reclamação geral: "O principal problema ainda é o crédito curto, caro e seletivo", disse, apesar de ponderar que as vendas de janeiro mostram alguma recuperação do setor, o primeiro a sentir os efeitos da crise internacional por sua grande dependência de financiamento bancário.

A "cadência errada" do BC pela demora em cortar a taxa de juros foi mencionada na reunião, revelou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. "Nós esperamos reuniões em intervalos mais curtos e maiores cortes na taxa básica Selic", disse ele.

Questionado se o presidente do BC Henrique Meirelles, também presente à reunião, chegou a se manifestar sobre a antecipação da reunião do Copom, Monteiro respondeu: "O silêncio dele foi muito eloquente."
Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), sugeriu agilidade e novos mecanismos "para o crédito voltar a fluir para todo o mundo". Sua proposta é a extensão do empréstimo-ponte a todas as demandas junto ao BNDES. "O banco antecipa parcela do financiamento e o BNDES cobre depois", explicou.

Na saída, Coutinho comentou rapidamente que o empréstimo-ponte "é um instrumento já existente e que pode ser aperfeiçoado". Disse ainda que a segunda reunião do GAC serviu mais para o governo "sentir o clima" dos efeitos da crise mundial sobre a economia real brasileira.

Ainda na questão do crédito, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (Cbic), Paulo Safadi, reclamou que da linha de R$ 3 bilhões criada em novembro para a capital de giro das empreiteiras, "só uns R$ 50 milhões" foram liberados até agora. Segundo ele, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, determinou a técnicos de sua equipe que verifiquem por que a Caixa Econômica Federal está travando os recursos com exigências de garantias adicionais.

Já o deputado Osmar Terra (PMDB-RS), da Frente Ruralista no Congresso, afirmou que diante da queda de 30% nas vendas de colheitadeiras agrícolas em janeiro deste ano sobre o mesmo mês de 2008, o governo deve anunciar medidas de incentivo em breve. "Será alguma desoneração fiscal ou redução de juros no Moderfrota", disse o parlamentar, lembrando que o programa de financiamento de máquinas agrícolas no BNDES tem hoje juros de 9,5% anuais.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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