Empresários amigos da presidente argentina Cristina Kirchner e do ex-presidente Néstor Kirchner estão de olho em partes da Petrobras Energia, a subsidiária da petrolífera brasileira na Argentina. É o caso da empresa Electroingeniería, com sede na cidade de Córdoba, que estaria interessada, segundo fontes do mercado, em comprar a parte que a Petrobras possui na companhia de distribuição de energia elétrica Edesur.

Empresários amigos da presidente argentina Cristina Kirchner e do ex-presidente Néstor Kirchner estão de olho em partes da Petrobras Energia, a subsidiária da petrolífera brasileira na Argentina. É o caso da empresa Electroingeniería, com sede na cidade de Córdoba, que estaria interessada, segundo fontes do mercado, em comprar a parte que a Petrobras possui na companhia de distribuição de energia elétrica Edesur. A Edesur abastece metade da capital argentina e parte da província de Buenos Aires. A Electroingeniería, famosa por suas boas relações com o casal Kirchner, adquiriu nos últimos anos estações de rádio que contam com uma programação de notícias favoráveis ao governo. Além disso, segundo líderes da oposição no Parlamento, a empresa teria sido favorecida pelos Kirchners em obras públicas. A Petrobras está presente na Edesur desde que comprou, em 2003, a energética Pérez Companc, a última grande companhia de capital argentino no setor de energia. Atualmente a Petrobras controla 48,5% da Distrilec, sociedade que é dona de 51,5% do capital da Edesur. Novo negócio. Esta seria a segunda vez que a Electroingeniería e a Petrobras negociam, já que em 2007 a empresa de Córdoba havia adquirido a parte da Petrobras na empresa de transporte de energia elétrica Transener, que havia entrado no pacote original da compra da Pérez Companc. Na ocasião, a compra foi feita pela Electroingeniería em aliança com a Enarsa, a miniestatal energética fundada pelo então presidente Néstor Kirchner. No entanto, a negociação foi favorável à Electroingeniería graças à pressão dos Kirchners, que bloquearam a operação que a Petrobras pretendia realizar na época com a americana Eton Park. Analistas em Buenos Aires afirmam que a Petrobras está em processo de se desvencilhar de vários ativos para concentrar-se na exploração e produção de petróleo. Dessa forma, há poucos dias, vendeu parte de seus postos de gasolina e uma refinaria ao empresário Cristóbal López, um dos mais íntimos amigos do casal Kirchner. López fechou um acordo para a compra da refinaria da Petrobras em San Lorenzo, província de Santa Fe, além de parte da rede de comercialização de combustíveis, que conta com 360 pontos de venda e clientes associados. Os ativos da Petrobras foram vendidos por US$ 36 milhões à Oil Combustibles S.A., a empresa de López. A Petrobras também vendeu a López o petróleo existente na refinaria e seus diversos produtos por US$ 74 milhões. O total da operação é de US$ 110 milhões. López é chamado de "o tzar do jogo" por seus investimentos em cassinos, também controla companhias de construção civil. Ele é suspeito de favoritismo em licitações de obras públicas por parte dos Kirchners. O colunista político Carlos Pagni ressalta que a refinaria de San Lorenzo produz asfalto, elemento de importância nas obras públicas das quais López participa. Procurada pela Agência Estado, a assessoria de imprensa da Petrobras Energía disse que "não ia fazer comentários sobre o assunto". Na Electroingeniería, os assessores negaram as negociações. O grupo da Electroingeniería concentra seus investimentos em obras públicas, mas, desde que adquiriu a Transener, a companhia começou a diversificar os negócios. Além do setor de energia, o grupo também adquiriu ativos de comunicação. Além da Electroingeniería, o empresário Alejandro Ivanissevich, dono da companhia Emgasud, também está interessado em ativos controlados pela Petrobras na Argentina. Segundo informações do mercado, fez há poucos dias uma oferta pela parte que a Petrobras possui na empresa TGS, que opera gasodutos na Argentina.

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