La Paz, 9 nov (EFE) - Um grupo de empresários bolivianos realiza um movimento para convencer o Governo do presidente Evo Morales da conveniência de produzir biocombustíveis para melhorar a economia e a qualidade de vida no país. As principais organizações empresariais propõem gerar um debate em nível nacional e tentam superar, assim, a rejeição do Executivo, que vê na geração destes combustíveis um risco para a segurança alimentar. A Bolívia deve ver esta forma de energia como uma oportunidade e não como uma ameaça, afirmou à Agência Efe o coordenador do projeto de biocombustíveis do Instituto Boliviano de Comércio Exterior (IBCE), Juan Carlos Lijerón. Segundo os dados deste instituto, a produção adicional de matéria-prima para biocombustíveis criaria mais de 100 mil postos de trabalho diretos e indiretos nos diferentes setores produtivos em um prazo máximo de 10 anos e sem agredir o meio ambiente. O IBCE, junto com a Câmara de Indústria, Comércio, Serviços e Turismo de Santa Cruz (Cainco), está tomando uma série de iniciativas para promover a produção de agroenergia, na qual a Bolívia é um dos países mais pobres da América Latina sob critérios de sustentabilidade. Os biocombustíveis gerados com racionalidade (...

) poderiam ser uma efetiva contribuição à diminuição do aquecimento global e um instrumento eficaz para o desenvolvimento econômico da Bolívia", defende o presidente do IBCE, Ernesto Antelo, para enfrentar as criticas do Executivo sobre esta forma de gerar energia.

Na introdução do projeto "Bolívia: Estudo de Caso para a Mesa-redonda sobre Biocombustíveis Sustentáveis" que este instituto promove junto com a Cainco, Antelo defende que a produção deste tipo de combustíveis suporá "mais emprego, mais receita e mais alimentos para os cidadãos".

"Não é possível que a Bolívia seja uma ilha" em biocombustíveis quando há deficiências energéticas no país, afirmou Lijerón, para quem este tipo de geração de energia serviria para "reduzir a despesa da importação" de combustíveis fósseis e poderia "chegar a garantir o auto-abastecimento".

"São uma alternativa interessante aos combustíveis fósseis e uma oportunidade que valeria a pena discutir em vez de ir ao extremo de dizer que todos os seus aspectos são negativos", comentou em relação à posição do Governo de Morales.

O presidente boliviano reiterou em diversas ocasiões sua oposição ao uso de produtos agrícolas para fazer combustível pelos "perigos" que representa para a segurança da população, já que, segundo ele, este tipo de energia influencia na alta dos preços dos alimentos.

Segundo Morales, a produção de energia a partir de produtos agrícolas serviria para "alimentar a escória americana e não os famintos", como disse em julho de 2007 em entrevista coletiva.

No entanto, os empresários sustentam que existem alternativas para gerar biocombustíveis e "simultaneamente produzir alimentos e melhorar as condições de vida das pessoas" para o que "seria preciso estabelecer disposições legais para regular" essa produção, defendeu o coordenador desta área do IBCE. EFE lav/ab/db

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