Há quatro anos, a confecção da empresária Raquel Borini ganhou uma vitrine de exposição sonhada por muitas grifes nacionais de moda. As peças da fábrica de São Paulo foram parar nas famosas lojas de departamentos El Corte Inglés, graças a um contrato entre a rede espanhola e um grupo de 20 pequenas confecções brasileiras.

A partir daí, a marca ganhou mercado. "Nossa exportação cresceu 70%", diz Raquel.

O consórcio formado com outras companhias, segundo ela, ajudou no sucesso da empreitada no exterior. "Grandes clientes não crêem que o pequeno fornecedor conseguirá atender sua demanda. O consórcio nos deu credibilidade para garantir isso."

Assim como Raquel, outros micro e pequenos empresários (MPEs) têm encontrado brechas para chegar ao mercado internacional, apesar do câmbio desfavorável à exportação. Apostando na atuação em conjunto - por meio de consórcios e feiras de negócios - e em programas de exportação simplificada, as MPEs que exportam avançam e já chegam a quase 12 mil, pouco mais da metade do total de exportadoras brasileiras. Mas ainda têm 1,8% do valor total exportado no País.

"Burocracia e processos aduaneiros complicados tornam a exportação ainda mais difícil para as MPEs", afirma o professor da Fundação Getúlio Vargas, Francisco Barone. Porém, segundo ele, essas companhias têm buscado alternativas para chegar ao mercado internacional. "A diversificação de mercado não é mais uma questão de opção, mas de sobrevivência."

A empresa MB, que fabrica estojos para instrumentos musicais, abriu novos mercados há cinco anos, por meio do programa Exporta Fácil, dos Correios. O programa facilita exportações de até US$ 20 mil, com formulários simplificados, coleta da mercadoria em domicílio e dispensa de registro. Desde a sua criação, em 2000, foram feitas 12.867 remessas.

Segundo a sócia Kátia Bonna, o programa permitiu que a companhia atendesse clientes e encomendas menores. "Antes, só podíamos trabalhar com grandes remessas, com todo o custo que isso implica." Agora, clientes de outros países acessam o site da empresa, fazem o pedido e pagam com cartão de crédito. O processo logístico e de documentação fica com os Correios. "Hoje, 30% da produção é exportada dessa forma. Fazemos em média uma transação por dia."

Outra ferramenta que têm ajudado os empresários é o Balcão de Comércio Eletrônico, do Banco do Brasil. Espécie de canal de comunicação entre exportadores e importadores, o programa emite documentos e faz entregas em parceria com empresas de logística. Segundo o BB, 7,1 mil empresas estão cadastradas no Balcão, que movimentou US$ 6 milhões em 2007.

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