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Empresário nega interferência do governo na venda da Varig

BRASÍLIA - O empresário Marco Audi, um dos sócios do grupo que em 2006 comprou a VarigLog, disse nesta quinta-feira, em depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, que contratou o advogado Roberto Teixeira para ajudar na transação sem saber que ele era compadre do presidente Lula. Audi atacou a Anac mas rechaçou a denúncia de que o presidente Lula ou a ministra-chefe da Casa Civil tenham feito tráfico de influência para acelerar ou beneficiar pessoas na transação da venda da Varig e VarigLog.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

 

O depoimento de Marco Audi começou já sob a pressão da fala prévia de senadores de oposição, que disseram suspeitar da atuação de membros do governo e amigos das autoridades no caso da venda da Varig e VarigLog. Queremos saber se o governo atuou porque era necessário vender a Varig para recuperá-la ou porque era um bom negócio [para as pessoas envolvidas], observou o líder do DEM no Senado, senador José Agripino Maia (RN).

Quando começou seu depoimento, Marco Audi fez questão de ressaltar seu histórico como empresário do setor de aviação, para afastar rumores de que teria sido apenas um laranja de investidores estrangeiros que queriam atuar no mercado brasileiro. Mais tarde, foi veemente: Não sou laranja, não tenho perfil para ser laranja e jamais aceitaria ordens, ainda mais de um fundo [de investimento] que nem nacionalidade brasileira tem, afirmou Marcos Audi, referindo-se ao fundo Mattlin Patterson, que participou da compra da VarigLog junto com Audi.

O empresário também negou taxativamente as denúncias, feitas pela ex-diretora da Anac Denise Abreu, de que a cúpula do governo teria feito pressão e interferência para viabilizar o negócio. Ele admitiu apenas que o advogado Roberto Teixeira tenha, em algum momento, usado o nome das autoridades para tentar agilizar a transação.

Assisti o depoimento da Denise Abreu [no Senado], onde imputou ao governo a participação nisso tudo. Quero deixar claro, como dirigente do início ao fim do negócio, que a ministra Dilma e o presidente Lula nunca tiveram nada a ver com isso, e se tiveram foi através da boca de Roberto Teixeira, que era amigo deles. Não existe nenhuma interferência do governo na Varig, destacou Marco Audi, para em seguida complementar que a demora na autorização da Anac para o negócio é prova de que não houve tráfico de influência.

Se tivesse havido interferência, teríamos ganho um tempo grande, porque o que a Anac segurou o negócio foi, no mínimo, cruel, reclamou.

Mentiras

Os senadores de oposição reagiram com indignação a algumas afirmações de Marco Audi, principalmente ao negar que tenha contratado Roberto Teixeira por ser compadre do presidente Lula, além da negação da ocorrência de tráfico de influência com participação ativa do governo. Os oposicionistas lembraram que já foi amplamente divulgada uma gravação na qual Marco Audi afirma que Roberto Teixeira faz chover, uma possível referência à proximidade com o governo.

Não acredito que o senhor não sabia que Roberto Teixeira era compadre do presidente Lula. Isso é uma brincadeira, protestou o senado Álvaro Dias (PSDB-PR). Outro tucano, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), seguiu o colega: O senhor quer mesmo que acreditemos nisso? Estamos dando mais uma oportunidade para os senhor reconhecer que tinha conhecimento das relações do Roberto Teixeira com presidente Lula e que esse conhecimento foi importante para contratar esse pequeno escritório de advocacia.

O depoente reafirmou que não sabia que ele era compadre do presidente mas, diante da pressão, aumentou o tom das críticas ao advogado e sua filha, Valeska Teixeira.

Eles usam o nome do presidente, eles têm mesmo esse grau de intimidação, mas usam muito mais no segundo e terceiro escalão [do governo] para abrir portas, não dá pra negar isso. Ele realmente usam em tom ameaçador, a Valeska pega o telefone e diz que vai passar o fim de semana na casa do dindo, o presidente Lula, criticou Marco Audi.

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