O mercado de trabalho industrial foi afetado pela crise em novembro e apresentou o pior resultado em cinco anos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem uma queda de 0,6% no emprego na indústria em novembro ante o mês anterior, a maior desde outubro de 2003.

Na comparação com igual mês de 2007 houve aumento na ocupação (0,4%), mas o desempenho nesse confronto foi o pior em dois anos. Houve queda na folha de pagamento real e no número de horas pagas no setor.

O economista da coordenação de indústria do IBGE André Macedo avalia que os resultados do mercado de trabalho, sobretudo em relação às horas pagas, refletem a perda de dinamismo do setor, por causa da crise. "Os dados vieram em linha com o atual momento da produção industrial, especialmente o número de horas pagas, que é o principal indicador antecedente do emprego."

Segundo Macedo, tradicionalmente os movimentos na produção chegam com alguma defasagem à indústria, mas desta vez os efeitos ocorreram imediatamente após a reversão brusca no desempenho do setor. O número de horas pagas na indústria caiu 1,7% em novembro ante outubro, a maior queda da série histórica iniciada em janeiro de 2001. Em relação a novembro de 2007, houve recuo de 0,4%, após 29 meses de taxas positivas, como resultado das paralisações e férias coletivas em algumas empresas.

Para Ariadne Vitoriano, da Tendências Consultoria, os dados "refletem os efeitos da crise externa e da restrição de crédito sobre a atividade". Para os próximos meses, ela espera "ainda resultados negativos em razão da maior cautela do empresário industrial".

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) divulgou documento no qual alerta que "podemos considerar que o recuo de novembro é ainda modesto, mas o processo deve se agravar". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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