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Emprego na indústria paulista tem pior janeiro desde 2002, diz Fiesp

SÃO PAULO - A queda do nível de emprego na indústria de transformação paulista durante janeiro foi a mais acentuada para o mês desde 2002, quando começou a atual série histórica do indicador calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), informou o diretor do departamento econômico da entidade, Paulo Francini. O mundo não assistia a uma crise dessa dimensão há décadas.

Valor Online |

Isso nos faz presenciar indicadores recordes " , afirmou.

Foram fechadas 32,5 mil vagas na indústria paulista em janeiro, o que representa uma queda de 1,86% em relação a dezembro, considerados os ajustes sazonais. Na série sem ajuste, o recuo foi de 1,34%. Na comparação com janeiro de 2008, o a queda foi ainda maior, de 2,22%, com a perda de 54,5 mil postos.

Os dados de janeiro foram fruto de uma nova metodologia, que reúne também a apuração do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Por isso, o indicador do mês reuniu 3.039 empresas de 22 setores. Antes o Ciesp cobria 1.992 companhias e a Fiesp, 1.547.

No período analisado, dentre os 22 setores abordados pela pesquisa, 19 demitiram, enquanto apenas 2 setores contrataram e 1 permaneceu com o mesmo quadro de funcionários de dezembro. " O Brasil ingressou na crise, não dá para negar. Ela é rigorosa e não está dando sinais de que vai cessar. "
Dentre os setores analisados, o de veículos automotores foi o que mais demitiu, com corte de 7.804 empregos. Confecção de vestuário e acessórios perdeu 4.309 vagas, enquanto o de produtos de borracha e de material plástico cortou 3.699 empregos.

Os únicos setores que contrataram em janeiro foram os de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com 593 novas vagas, e o de produtos diversos, com 248 postos.

Na análise de diretorias regionais, o nível de emprego no conjunto das cidades do interior paulista caiu 1,38% e, na região da Grande São Paulo, recuou 1,19%. A cidade com maior baixa no nível de emprego industrial foi Jaú, com queda de 5,07% no indicador, pressionada principalmente pelo setor de produtos alimentícios.

A Fiesp apresentou ainda o índice Sensor - indicador que aponta a percepção dos empresários a respeito das perspectivas econômicas - relativo à primeira quinzena de fevereiro. Dado que o patamar de 50 pontos aponta neutralidade, o Sensor sinaliza que a situação do nível de emprego no estado não deve melhorar, pois esse quesito marcou 42,6 - ou seja, uma leitura pessimista. O indicador geral de confiança da indústria ficou ainda menor, em 41,4 pontos. A pior percepção, contudo, foi em relação aos estoques, cujo índice ficou em 32 pontos. " Este é um dado preocupante, pois indica que a indústria continua estocada " , afirmou Francini.

(Vanessa Dezem | Valor Online)

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