As emissões brasileiras de gases de efeito estufa aumentaram 62% entre 1990 e 2005, passando de 1,36 bilhão de toneladas para 2,2 bilhões, de acordo com dados preliminares do segundo inventário brasileiro de carbono, divulgados ontem. Os números foram apresentados à Comissão do Meio Ambiente do Senado pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.

Como em 2005 o mundo emitiu cerca de 50 bilhões de toneladas, a participação brasileira no total global é de aproximadamente 4,5%.

Com base no novos números do ministério, é possível recalcular o impacto da proposta que o País levará à conferência de Copenhague, no mês que vem - de reduzir em até 39% o crescimento projetado de suas emissões até 2020. Se essa meta máxima for alcançada, segundo as projeções do governo, o Brasil emitirá, em 2020, cerca de 1,65 bilhão de toneladas de gases-estufa. Isso representa, segundo cálculos feitos pelo Estado, uma redução de 25% em relação a 2005 - uma meta maior do que a proposta pelo governo americano (17%) e do que a já aprovada em lei pelo Estado de São Paulo (20%).

Em relação a 1990, ano-base do Protocolo de Kyoto, haveria um aumento de 21% das emissões brasileiras. Os cálculos são baseados na projeção feita pelo governo de que o Brasil emitirá 2,7 bilhões de toneladas de gases-estufa em 2020, caso nada seja feito para controlá-las. Um estudo paralelo feito pelo Banco Mundial, porém, estima que esse crescimento será bem menor, chegando a 1,7 bilhão de toneladas em 2030 (dez anos mais tarde), o que significa que as projeções do governo podem estar superestimadas.

O setor que mais emitiu dióxido de carbono (CO2) no Brasil nos últimos 15 anos, segundo as estimativas preliminares do MCT, foi o de "mudança no uso da terra e florestas", que inclui o desmatamento na Amazônia e nos outros biomas (Cerrado, Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e Pampas). Passou de 746 milhões de toneladas em 1990 para 1,26 bilhão em 2005 - aumento de 70%. Já o setor de energia cresceu 68% em emissões, e o da agricultura, 41%.

O Brasil tem até 31 de março de 2011 para entregar a versão final do inventário à Convenção do Clima da ONU. As críticas ao fato do único inventário disponível estar extremamente defasado, porém, fizeram com que o MCT produzisse esse relatório preliminar, antes de Copenhague. Os dados do inventário anterior são de 1994.

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