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Emergentes tentam elevar o comércio sul-sul

Países em desenvolvimento, procurando compensar a queda de demanda dos países ricos e os preços mais baixos das commodities, buscam formas de aumentar um dos mais dinâmicos aspectos das suas economias: o comércio sul-sul. No mês passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que países em desenvolvimento cresceriam cerca de 3,3% neste ano, enquanto as economias avançadas encolheriam cerca de 2%.

Agência Estado |

Como um todo, a economia mundial ficaria estagnada.

A Unctad, organismo das Nações Unidas para o comércio e o desenvolvimento, prevê que as exportações dos países em desenvolvimento poderiam cair cerca de 9,2% em 2009. O comércio sul-sul pode ser a única luz nesse túnel.

O secretário-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi, declarou que a crise financeira abalou as fundações econômicas do norte e ameaça as aspirações ao desenvolvimento do sul. "O momento agora é para ver o quanto a maior cooperação sul-sul pode ajudar os países em desenvolvimento a lidar com a crise", disse Supachai, ex-diretor da Organização Mundial de Comércio (OMC).

O esforço de países em desenvolvimento, especialmente de China, Índia e Brasil, para cada um poder contar mais com o outro é sinal do deslocamento do poder global que se concentrava nos EUA e Europa. O ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, encontrou-se com os ministros do Comércio indiano, Kamal Nath, e sul-africano, Mandisi Mpahlwa, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Amorim afirmou que eles haviam concordado que a África do Sul organizaria um encontro para discutir um acordo entre o Mercosul, o bloco do sul da África e a Índia. "Queremos que nosso comércio se mantenha, independentemente do que aconteça com os mercados financeiros", declarou Amorim.

Essa cooperação não será sempre fácil, já que a crise pode levar os países a criar barreiras para exportações. A Índia aumentou as tarifas para o aço no ano passado, para impedir as importações chinesas. Também vetou importações de brinquedos da China por seis meses, o que pode resultar em disputa na OMC.

O comércio entre países em desenvolvimento, porém, aumentou. Dados da OMC mostram que o comércio sul-sul representou 16,4% do total de US$ 14 trilhões de vendas globais em 2007. Esse porcentual em 2000 era de 11,5%.

"O comércio sul-sul é um dos mais dinâmicos aspectos dos negócios nos últimos 10 anos e a expectativa é que continue crescendo", afirma o economista Bonapas Onguglo, da Unctad. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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