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Emergentes resistem a fazer concessões no setor industrial

Os países emergentes estão resistindo nesta quarta-feira a fazer as concessões esperadas pelos países ricos no setor industrial em troca de suas ofertas agrícolas, no terceiro dia da reunião ministerial para salvar sete anos de negociações da Rodada de Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio).

AFP |

 

O ministro indiano do Comércio e da Indústria, Kamal Nath, chegou a Genebra nesta quarta-feira, negou-se a dizer se colocaria sobre a mesa de negociações uma abertura maior do mercado indiano às importações de produtos industriais.

Mas, segundo ele, a negociação não deve servir para "melhorar a prosperidade dos países industrializados". Ele se recusa "a colocar em jogo as jovens indústrias e os países mais pobres da Índia, que penaram para se industrializar".

O Brasil, outro grande país emergente do G20, disse que as condições ainda não estão todas reunidas para "discussões equilibradas".

"A bola ainda não atravessou nem a metade do caminho. Ela ainda está no campo dos países ricos", declarou o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

Sendo assim, os negociadores europeu e americano, Peter Mandelson e Susan Schwab, consideram agora que é hora de avançar nas negociações sobre produtos industriais, pois já fizeram suas propostas no setor agrícola.

Terça-feira, os EUA ofereceram reduzir seus subsídios agrícolas de US$ 17 bilhões a US$ 15 bilhões por ano, para conseguir avanços nas negociações desta semana.

No entanto, a oferta americana foi considerada insuficiente, tanto pela Índia quanto pelo Brasil, que parecem bem decididos em aumentar a pressão para obter mais concessões.

Os países emergentes estão, entretanto, divididos entre eles mesmos sobre as concessões que estão dispostos a fazer em termos de abertura de seus mercados.

No "Nama 11", grupo de países em desenvolvimento que querem limitar a abertura de seus mercados industriais, alguns países, como a Argentina e a África do Sul, adotaram posições particularmente duras, segundo uma fonte ligada às negociações.

"Se nós continuarmos por este caminho, poderemos gerar uma crise econômica grande em nosso país", porque as discussões sobre a indústria não levam em conta o desenvolvimento e os empregos, comentou Rudi Dicks, do Congresso dos sindicatos da África do Sul (Cosatu), em entrevista à imprensa paralelamente às negociações.

"As negociações estão bloqueadas agora sobre a indústria", observou uma fonte européia, notando que os textos em discussão são "muito mais elaborados na agricultura do que na indústria", até porque este último tema está atrasado.

Entre os assuntos que paralisam as negociações, está uma "cláusula anti-concentração", apresentada pela Europa, que impediria os países emergentes de excluir setores inteiros de sua economia na abertura de seus mercados: um assunto importante principalmente para a Alemanha, que tenta livrar o caminho para seu setor automobilístico.

Mas tanto os brasileiros como os indianos julgam esta idéia ruim. "Se isto for fracassar o acordo, que assim seja", disse o ministro indiano.

Diante destes bloqueios, o processo atrasou em um dia, e pequenos grupos se reúnem nesta quarta-feira para que os países possam se entender entre eles.

Após os avanços "modestos" registrados nos últimos dois dias, o diretor geral da OMC, Pascal Lamy, pediu aos países membros que "trabalhem juntos com consciência de urgência".

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