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Emergentes ficam sem perspectiva de longo prazo

O cenário de altíssima incerteza sobre a economia global faz com que os investidores estrangeiros se voltem para a administração da turbulência e tira a perspectiva de longo prazo para os emergentes. Vivendo a crise um dia de cada vez, no meio do furacão, hoje não há espaço para análise mais específica de fundamentos de cada país.

Agência Estado |

Sob forte tensão, os profissionais acompanham cada passo da derrocada do setor financeiro dos Estados Unidos, após o colapso do Lehman Brothers e Merrill Lynch, e agora com a ameaça sobre o futuro da seguradora AIG.

"Como em toda situação de desalavancagem, muito pouca diferenciação pode ser feita entre os créditos soberanos emergentes", diz Luis Costa, estrategista do Commerzbank. Olhando para as outras crises, como a da Ásia em 1997, da Rússia em 1998 e o "efeito Lula" no Brasil em 2002, ele observa que o mercado precisa de meses para se recobrar. "Não imaginamos que vai ser diferente agora, devido ao poderoso choque de liquidez visto em vários ativos do universo emergente."

O agravamento da crise financeira nos Estados Unidos injetou muita aversão ao risco no mercado e azedou de vez a percepção sobre os países em desenvolvimento. "O Brasil não está em outro planeta e vai sofrer com a crise", diz um profissional de mercado em Londres. "O investidor começa a querer vender qualquer coisa e ninguém fala ainda que é momento de comprar." A perspectiva de desaceleração global está hoje plenamente refletida nos preços das commodities, o que afeta diretamente os principais exportadores. O petróleo, por exemplo, está em queda livre e já caminha para os US$ 90, depois de perder rapidamente o relevante suporte de US$ 100.

Pelas mesas da City londrina, o nervosismo é enorme. Os profissionais observam aflitos a situação dos funcionários do Lehman, que esvaziam suas gavetas. Somente em seu prédio em Canary Wharf, o centro financeiro de Londres, a instituição tinha 4 mil empregados. Se o modelo de banco de investimento independente está sendo questionado, com dúvidas sobre a atuação dos dois que sobraram, o Morgan Stanley e o Goldman Sachs, na Europa o temor maior é que alguma instituição seja afetada diretamente.

"Há um clima de pânico, não é uma situação de normalidade e não dá para enxergar o longo prazo", diz Roger Oey, da área de vendas do Banif Investment em Londres. "Está tudo muito embaçado, porque ninguém sabe onde isso pode acabar", completa outro profissional.

O mercado de câmbio emergente tem sido fortemente afetado, tanto que o dólar saltou para R$ 1,85 rapidamente. Analistas dizem que a desvalorização das moedas é reflexo da desalavancagem global, já que os fundos estão vendendo ativos e levando os dólares embora. "É claro que uma questão chave é saber por quanto tempo o sangramento irá durar", escreve o estrategista Clyde Wardle, do HSBC. No meio do ambiente atual, é complicado responder. Mas ele já vê o dólar entre R$ 1,90 e R$ 1,95 no médio prazo.

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