Ao contrário do texto inicial do projeto de lei sobre as regras do pré-sal, a emenda Ibsen altera a distribuição dos royalties arrecadados por campos já em produção e não apenas os futuros do pré-sal provocando redução imediata nos orçamentos dos Estados e municípios. A proposta inicial previa a redistribuição apenas da arrecadação futura, que virá com as reservas do pré-sal.

A redução repentina no orçamento é o principal motivo de protestos entre municípios e Estados beneficiados, principalmente o Rio, onde os royalties têm grande peso na arrecadação. Cálculo feito pela Confederação Nacional dos Municípios aponta que a perda das prefeituras com a nova regra chega a R$ 3,646 bilhões por ano.

Em muitos desses municípios, os royalties representam mais da metade da receita tributária. O governo do Estado do Rio e prefeituras têm insistido que a mudança pode representar a falência de municípios, que não terão ganho de arrecadação que substitua a perda dos royalties e participações especiais cobrados sobre campos de grande produção de petróleo.

Um dos argumentos dos defensores da manutenção do modelo atual é que a mudança representaria uma espécie de "quebra de contrato", retirando uma receita que já é contabilizada pelas Fazendas. Além disso, ressaltam que os royalties são compensações pelos problemas causados pela atividade petrolífera.

No final do ano, o Rio e os municípios já haviam sofrido uma primeira derrota, com a proposta do relator Henrique Alves, que alterava a distribuição dos ganhos com os projetos futuros do pré-sal, após garantia do governo de que o assunto não seria tratado nesse momento.

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